Publicação fixa: Argumentos lógicos X tratados teológicos

Meus textos questionando o sistema religioso e as mentiras do cristianismo são sempre com argumentos de raciocínio lógico, porque para mim vale o que está escrito sem interpretações humanas, sem oráculos para traduzir o texto... Continue lendo.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Quem sou eu


Up.

Sobre este blog, leia aqui.

Débora Vitório De Bonis
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Jornalista e escritora.
Blogueira desde junho/2008.
E também filósofa amadora e antropóloga amadora.
Autora dos livros Libertação é confissão de pecados e Libertação é teshuvah.
Casada com Alexandre.
E meu artesanato é colcha de retalhos.

Penso, logo questiono.
Questiono, logo incomodo.

NÃO sou evangélica, NÃO tenho religião, NÃO tenho igreja, NÃO tenho líder religioso humano. Estou fora do sistema religioso, em completa desconstrução. Mas creio em YHWH, o Eterno, estou aprendendo a obedecer à Torah (Pentateuco), a obedecer a TODOS os mandamentos e estou fazendo teshuvah. Sou sem-religião, mas minha vida é pautada pelos princípios bíblicos e sigo SOMENTE o que está na Torah e não doutrinas humanas. Para saber mais leia Saiba o que, como e porque minha vida mudou.

A certeza de estar no caminho certo não tem preço. E a sensação de que "tem alguma coisa errada" ou "não pode ser só isso" de-sa-pa-re-ceu completamente. Mas tenho cuidado para não trocar seis por meia dúzia ou uma jaula pela outra. Não quero jogar fora o bebê junto com a água do banho.

NÃO acredito na frase: "A felicidade não existe, existem momentos felizes!". Acredito em SER feliz, embora tenha momentos de tristeza.

Sigo o calendário oficial de Israel para festas bíblicas e não comemoro festas pagãs e também não comemoro aniversário.

Débora, cujo nome significa abelha. “... falou que eu era como Débora, cujo nome significa abelha, e que haveria momentos quando minhas palavras seriam doces ao paladar e momentos em que seriam como uma ferroada.” Cindy Jacobs. Abelhas não atacam. Elas apenas se defendem quando são atacadas.

"Então, eu tive aquele encontro com o Eterno [e com a Torah] do qual nunca me recuperei". Tommy Tenney

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Violência obstétrica - A voz das brasileiras! ou Violência no sistema de saúde no Brasil - A voz dos pacientes!

Estou novamente passando mal com um assunto, como aconteceu quando comecei a pesquisar e escrever sobre misoginia. E como escrevi naquela época, vou repetir minhas palavras, porque é assim que estou me sentindo hoje:

"Quanto mais mergulho na pesquisa e medito no assunto, mais me dá vontade de bater muito em um saco de areia – para não bater nos desumanos que conheci. Estou irada! Meu estômago está revirado, minhas entranhas se contorcendo, um frio intenso na barriga, ansiedade, insônia, porque, a mente não para de pensar, pensar, pensar, enfim, meus sintomas de assunto-bomba e de revelações chegando aos montes. Sinto que vou explodir."

O assunto agora é esse do título e começou quando assisti ao vídeo Violência obstétrica - A voz das brasileiras! e ao trailer do filme O renascimento do parto. E depois de quase surtar, comecei a ler sobre o assunto, e quanto mais eu leio, mais indignada vou ficando.

Hoje acordei como se estivesse de ressaca, como se um trator tivesse me atropelado ontem, como se tivesse levado vários socos na boca do estômago. Estou muito indignada, irada, com vontade de gritar, de bater em alguém, sufocada.

Diferente do assunto misoginia, desta vez a indignação é pessoal, não porque tenha sido vítima da violência obstétrica, pois não tenho filhos, mas porque somos todos vítimas da violência médica, por isso coloquei um "ou" e aumentei o título do post. E como escrevi no Facebook, "peço perdão aos bons profissionais da saúde (conheci pouquíssimos), mas acompanhando meu pai em vários hospitais, várias cirurgias [catarata nos dois olhos, prótese no joelho, duas cirurgias por causa da fratura do fêmur, e ainda houve um AVC], inúmeras consultas, sendo acompanhante de outros dois idosos em um hospital, e acompanhando um pós-parto, me sinto como essas mulheres do documentário e até hoje tenho gritos presos na garganta. Sei que a dor delas é muito maior, nem posso comparar, mas senti na pele como é ser tratado como lixo dentro dos hospitais e consultórios médicos."

Tenho tantas histórias de desumanidade que sofri e vi nos hospitais, públicos e particulares, que poderia gravar um documentário parecido. E tenho certeza de que levaria uns 50 anos para gravar depoimentos de pessoas que sofreram violência médica no sistema de saúde no Brasil. Quem não tem uma história para contar que levante a mão.

Como recordar é viver, estou revivendo toda a humilhação, toda a indignação, toda ira, toda revolta, toda incredulidade, toda violência que vivi nesses hospitais e consultórios. Cada depoimento que ouvia me fazia reviver tudo que passei com médicos, enfermeiros e recepcionistas desumanos, que gritaram comigo, que não deram informação correta, que não ensinaram nada, que praticamente me disseram "se vira", que me trataram como uma idiota, que me roubaram vários direitos, que trataram meu pai com crueldade, que pegaram o bebê que havia acabado de nascer como se pega um cachorrinho, pelo pescoço, sem nenhuma delicadeza (aliás, devem tratar muito melhor seus cachorrinhos e bichinhos de estimação). Estou revivendo a humilhação de um assédio sexual que sofri em um consultório de dermatologia, e também estou revivendo a agressão de me sentir cobaia nos tratamentos de rinite alérgica e ainda ter sido forçada a fazer infiltração no nariz sem saber antes o que iria acontecer e quando percebi havia uma agulha sendo enfiada nas minhas narinas e uma injeção sendo aplicada em cada uma e nem quero descrever o que senti naquele momento. E esses dois casos aconteceram na rede particular, quando eu tinha um dos melhores planos de saúde da época.

E como reviver pode trazer cura interior, espero que eu esteja purgando todas essas dores e gritos sufocados com a ajuda de outras pessoas que sofreram muito mais do que eu, ouvindo o depoimento delas, sentindo a dor delas, chorando com elas. Que venha a cura, enfim. Tá doendo, mas que seja para ser curada.

E novamente vejo o padrão acontecendo, as pessoas sofrem essas coisas e pensam que é só com elas, e de repente alguém se atreve a falar, a denunciar, e aí começamos a perceber que não, não foi só comigo, tem muuuuuuuita gente sofrendo como eu, mais do que eu, é muita dor, é muita dor.

Assistam aos vídeos, se tiverem coragem.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Go to Panamá, uma linda surpresa

Não era a viagem dos sonhos, mas se tornou um sonho de viagem.

Decidi escrever este post estilo diário de bordo em agradecimento aos muitos blogueiros que me ajudaram com informações sobre o Panamá. E assim como eles me ajudaram, espero também contribuir com outros turistas que vão passar por lá.

Panamá não estava na minha lista “Antes de ficarmos velhos”, mas agora entrou como item já realizado. Não programamos ir ao Panamá, fomos a trabalho e depois de pesquisar e ver as fotos e opções do que fazer, decidimos ficar mais uns dias para passear. E apesar do pouco tempo que tínhamos – uma tarde, dois dias completos e uma manhã, conseguimos visitar lugares lindos.

Confesso que só sabia que o Panamá tinha o famoso canal e o famoso chapéu, até havia assistido ao filme O alfaiate do Panamá, mas não lembro da história direito, vou ter que rever agora, e não sabia mais nada, nem onde ficava direito. Mas enquanto pesquisava sobre o país, ficava impressionada com tanta coisa boa para fazer por lá e apaixonada pelas paisagens. E Panamá foi entrando na nossa lista e eu ficando animadíssima para chegar logo.

Fazer compras não era nosso foco, nem somos especialistas no assunto, mas como todos disseram que Panamá é um dos principais destinos de compras para os brasileiros, resolvemos conferir. Seguindo os conselhos, fomos ao enorme Albrook Mall, que tem fama de ter preços médios, andamos muito e nem chegamos ao segundo piso, encontramos nosso objetivo principal, pesquisamos preços, compramos dois itens extras, cansamos e voltamos ao hotel. Na manhã do último dia fomos a outro shopping, o Multicentro Panamá, que ficava pertinho do nosso hotel, e apesar de ter fama de ser mais caro que o outro, encontramos alguns preciosos achados com preços interessantes. Mas a grande surpresa foi o aeroporto. Aquilo não é um aeroporto, é um grande e diversificado shopping, muitas lojas, muitas mesmo (que diferença do aeroporto do Rio, melhor nem comentar). Na ida não tivemos tempo de conhecer direito, porque havia uma pessoa nos esperando, mas na volta chegamos bem cedo e tivemos tempo de andar bastante. E agora podemos confirmar que compras no Panamá é tudo de bom e nem precisa sair do aeroporto, que para nós foi o melhor de todos os shoppings que visitamos. É, mesmo para não consumistas como nós, dá vontade de voltar lá e nem sair do aeroporto e aproveitar as novidades que não encontramos por aqui.

Enfim, chegamos ao que mais nos interessava: passeios. Ver o canal e as eclusas foi parte do evento oficial, por isso não voltamos para visitar como turistas. Depois tivemos apenas dois dias inteiros livres e muita coisa para conhecer, então escolhemos dois lugares de maior interesse para nós. Os dois destinos mais famosos ficaram fora da lista, San Blas e Bocas del Toro, por serem longe e na nossa avaliação não valeria a pena ir com tão pouco tempo. Mas eu queria pelo menos colocar os pés no Mar do Caribe, então no primeiro dia fomos de trem até Cólon e de lá fomos de táxi até Portobelo. Na estação do trem há vários taxistas oferecendo o serviço de ida e volta, eles levam até o porto e ficam esperando por três horas e trazem o turista de volta à estação. Acontece que o trem sai da Cidade do Panamá (capital do Panamá, onde ficamos hospedados) às 7h15 da manhã e chega em Cólon às 8h15, e volta às 17h15, então chegaríamos na estação muito cedo, às 14h30 nos nossos cálculos, aí fui perguntar ao taxista onde pegávamos o ônibus para voltar à tarde, mas ele logo se ofereceu para nos levar de volta ao hotel e fez um preço bem legal, e isso foi bem prático, porque não ficamos esperando por trem ou ônibus e chegamos cedo para descansar, porque praia cansa, rsrs, e no dia seguinte haveria outro passeio. A viagem de trem é uma gracinha, seguimos beirando o canal quase o tempo todo e passamos por dentro de uma grande floresta.

Trem chegando em Cólon.
Geralmente os turistas vão para Isla Grande, mas eu li que era um pouco suja (ah, o “cerumanu”), e também li um texto sobre a Isla Mamey (o texto é de 2011, depois descobri que a ilha não está mais como ela descreveu, as cabanas foram derrubadas) e insisti em ir para lá, mas o texto deu a entender que os barcos saíam de Portobelo e não é bem assim, eles saem de Portolindo, um pouco mais à frente, no mesmo porto em que há barcos para Isla Grande. Mas como paramos em Portobelo e o taxiacuatico de lá não quis ir para Mamey, disse que era longe, mas nos ofereceu ir a três praias ali perto, duas apenas para conhecer e uma para mergulho, decidimos aceitar, afinal era o Mar do Caribe. Então o táxi nos levou ao mercadinho, compramos água e um lanchinho, e partimos para as praias. Lugares lindos, mar delicioso, temperatura agradável, nem quente, nem gelado.

Portobelo e seus canhões.
 No porto conhecemos Emanuel, um argentino que estava viajando pelo mundo, conhecia o Brasil e falava português, e o que ele mais sentia saudade no Brasil era pipoca com leite condensado. Ri muito e lembrei da minha amiguinha Yohanna. Ele nos ajudou na negociação e foi junto no passeio, como ajudante do barqueiro. Conversamos muito com o jovem argentino e ficamos amigos de berçário. Simplesmente ele tem valores parecidos com os nossos na questão ambiental, alimentação saudável. Ele também não bebe refrigerante, reclamou dos transgênicos, disse que planta uma horta na sua casa e recolheu três sacos de lixo na praia enquanto curtíamos o mar. Se ali naquela praia deserta, sem infra nenhuma, ele recolheu todo esse lixo, nem quero imaginar como seria a Isla Grande. Acho que fizemos uma boa troca. Na última praia havia mais um barco além do nosso, com turistas americanos, e a praia era toda nossa.

Fazendo novo amigo, o argentino Emanuel.
Navegando no Mar do Caribe.

Pisando no Mar do Caribe.

Praia do Francês, Mar do Caribe, Panamá.
O barqueiro nos deixou na terceira praia, que foi a escolhida para mergulharmos, e foi abastecer e fazer um transporte para outro barco. Ele demorou um pouquinho, e aí comecei a ficar com medo de termos sido abandonados ali, rsrs. Mas ele voltou no horário perfeito para encontrarmos nosso táxi realmente nos esperando. E o táxi nos levou direto ao hotel, com direito a atravessar a Ponte do Centenário para fotografarmos a ponte e o canal. Serviço de qualidade, viagem tranquila, recomendadíssimo. Enfim, objetivo alcançado com sucesso, navegamos e mergulhamos no Mar do Caribe.

Nosso taxiacuatico chegando para nos buscar.

Canal do Panamá visto de cima da Ponte do Centenário.

Ponte do Centenário.

No dia seguinte nosso destino foi o Caribe do Pacífico, como é conhecido o Arquipélago de Las Perlas. Apesar de reservar pela internet e receber e-mail de confirmação, nosso nome não estava na lista do Ferry boat, mas conseguimos ser encaixados, ufa, e partimos para nossa aventura ruma à Isla Contadora. Uma hora e 40 minutos de viagem tranquila, eu dormi quase o tempo todo, porque o ferry sai às 7h30 da manhã. Na Ilha Contadora havia duas opções, ou ficávamos lá conhecendo as praias da ilha, e o melhor é alugar um carro maneiro ou uma bicicleta, porque caminhando é bem longe, ou pegávamos outro barco para conhecer outras ilhas, observar baleias e mergulhar para ver corais e peixes coloridos. Claro que marido preferiu pegar outro barco com o pessoal da Coral Dreams. Como não fizemos reserva, quase perdemos, mas sobraram duas vagas e novamente fomos encaixados e partimos para a maravilhosa aventura. Eu me senti traindo a Contadora, mas fizemos novamente uma boa troca, e na volta ficamos um pouquinho na Contadora, enquanto esperávamos o horário do ferry.

Escadaria linda na Isla Contadora

Guia da Coral Dreams e turistas de vários países.
O passeio completo incluía ficarmos no barco no meio do Pacífico para esperar as baleias subirem para respirar. Eu havia lido em algum lugar que a temporada era só em julho, mas devo ter entendido errado, porque a temporada começa em julho e termina em outubro. Ou seja, fomos na época perfeita, sem saber. E vimos baleias!!!!!

A primeira baleia a gente nunca esquece.

Ela é muito rápida, já mergulhou de novo.

Confesso de novo, quase morri de medo. Ficar com o barco parado no meio do oceano esperando as baleias subirem para respirar, mesmo longe delas, não foi a melhor das experiências do mundo, rsrs, eu só imaginava uma baleia embaixo do nosso barco e virando o barco e eu não voltando para contar a história. Filme de terror!!!! Marido não sentiu um milímetro de medo e ficou rindo de mim o tempo todo, mas eu só queria ir embora logo, confesso mesmo. Lindo ver as baleias, mas eu fiquei com muito medo. Depois disso paramos em duas praias lindíssimas para mergulhar apenas com uso de snorkel, porque o compressor para cilindro estava com defeito.

Parada na primeira ilha.

Pisando no Oceano Pacífico, Arquipélago Las Perlas, Caribe do Pacífíco, Panamá.
Parada na segunda ilha.
Marido vendo lindos e coloridos peixes, ele amou e
lamentou não ter comprado uma máquina para fotos embaixo d'água.
Navegando no Oceano Pacífico.

Isla Contadora, descansando enquanto esperávamos o ferry para voltar.

Companhia na Isla Contadora.

Às 15h30 o ferry saiu e navegamos de volta à Cidade do Panamá. A viagem foi outra aventura. O capitão do ferry parava de vez em quando porque ele via baleias e os turistas tentavam ver e fotografar, mas não conseguimos registrar nada, porque quando ele parava as baleias já estavam subindo e não dava mais tempo. E em uma vez ele fez uma parada brusca, levamos um susto, e ele disse que quase atropelou uma baleia. Eu, heim! E ainda tivemos a companhia de golfinhos, mas não conseguimos fotografar também, peninha.

O ferry boat chegando para nos buscar.

Apesar de ter pesquisado muito, não consegui antes informações sobre o que havia na ilha e por isso não fizemos reserva de passeio de barco. E o ferry só faz o transporte, mais nada, não faz turismo pelas ilhas. E essa informação também não havia ficado muito clara. De qualquer forma, se não tivéssemos conseguido vaga no barco, teríamos ficado na ilha, que tem uma grande infra, inclusive há hotéis para quem quiser ficar por lá. Há linhas de voos também, mas precisa comprar com antecedência, porque a procura é grande. No final deu tudo certo, mas para quem está indo para lá, fica a dica de comprar bilhetes para o ferry ou para o avião com antecedência e reservar o passeio de barco também.

Quase chegando à Cidade do Panamá, do ferry vimos a Calzada de Amador ou Amador Causeway, mas não pedalamos na calçada, como estava previsto.

Calzada de Amador vista de dentro do barco.

Pelicano, recepção de boas-vindas, voltando à Cidade do Panamá.
Vista do Canal e da Ponte das Américas, chegando à Cidade do Panamá.

No último dia, que dó, snif, fomos ao shopping Multicentro, como falei lá em cima, e no caminho passamos rapidinho no aterro da Avenida Balboa, fizemos umas comprinhas básicas e partimos para o aeroporto. A viagem foi tranquila, sete horas de voo direto para o Rio e voltar à realidade, depois de um lindo sonho de viagem não planejada, mas que vai deixar muita saudade.

Vista de cima da passarela no aterro da Avenida Balboa.
Experimentamos quase tudo que lemos sobre o Panamá. Trem e barcos. Atendentes de lojas mal-humorados, mas isso nós temos aos montes no Rio de Janeiro, infelizmente. Táxi dividido com outro passageiro, lá eles fazem isso o tempo todo, se tem lugar vazio e alguém dá sinal, eles param e pegam outro passageiro, foi muito engraçado, mas ainda bem que já estávamos avisados. Os grandes choques culturais ficaram por conta da descarga no banheiro do aeroporto, que eu não consegui descobrir como acionar, sinto muito, e da maître do restaurante que me mostrou a garrafa do vinho para eu conferir e me serviu a prova, e só depois que eu aprovei é que serviu ao meu marido. Fiquei me sentindo, rsrsrs. E a vergonha de ser brasileira foi por conta da internet ser boa e rápida e os celulares dos moradores de lá funcionando no meio do oceano, na praia deserta, na estrada no meio da floresta, e o meu não funciona na minha cozinha.

Se eu voltaria ao Panamá? Com certeza, afinal faltou muita coisa para ver e também faria tudo de novo, mas a lista do “Antes de ficarmos velhos” tem tanto item ainda para ser marcado como realizado...


Dicas de outras páginas sobre o Panamá:
http://www.visitpanama.com/
http://descubrepanamaconcopa.com/pt
http://viajeaqui.abril.com.br/paises/panama
http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/americacentral/panama.shtml
http://viagens.ig.com.br/destinos/jogue-se-nas-compras-no-panama/
http://www.guiadasemana.com.br/turismo/noticia/compras-no-panama
http://www.111diaspelaal.com/?p=116&id=&lang=pt
http://ideiasnamala.com/2012/07/19/panama-dicas-para-planejar-sua-viagem-ou-escala-longa-na-cidade-do-panama/
http://viajandoemfamilia.com.br/panama-by-drika-ferreira/
http://www.nosnomundo.com.br/tag/panama/
http://dopanamapromundo.wordpress.com/

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A tragédia dos líderes religiosos

Up. Publicado originalmente em 12/mar/2012

Desde criança ouvia os líderes religiosos do segmento que eu pertencia comentarem sobre os líderes religiosos de outro segmento assim: “Eles estudam tanto, conhecem a verdade, como podem ainda continuar no erro e ensinar mentiras?”. E muitos fiéis repetiam o mesmo questionamento. Eu fiz isso várias vezes. Não entendia como podiam continuar fazendo algo totalmente contrário ao que a Bíblia ensina de forma tão clara.

Mas recentemente esse mesmo questionamento me veio à mente sobre os líderes religiosos do segmento que eu frequentava. Foi quando descobri que são todos farinha do mesmo saco. Falam dos outros, mas fazem a mesma coisa.

Como diz uma amiga minha, não vai ter perdão para os líderes religiosos. Eles frequentam seminários por cerca de quatro anos, muitos fazem mestrado, doutorado em Teologia, estudam grego e hebraico, história da Igreja etc etc, e mesmo assim continuam vivendo e ensinando doutrinas contrárias à Torah (Pentateuco). Como pode isso?

Um pequeno exemplo é o significado de pecado e de iniquidade. A vida inteira dentro do sistema religioso eu ouvi que pecado era errar o alvo. Mas que alvo é esse? E então comecei o processo de desconstrução e descubro que o alvo é a Torah, que pecado é não cumprir a Torah, a Lei. Mas os meus ex-líderes não viram isso nos seminários, mestrados e doutorados? E como eles se atreviam a me dizer que eu não precisava guardar o sábado e que podia comer todo tipo de animais impuros que a Torah proíbe, por exemplo, e ainda ousavam dizer que essas e outras partes da Torah foram abolidas?

E quando lemos sobre a história da Igreja o questionamento continua. Como eles podem continuar vivendo rituais pagãos, celebrando festas pagãs, como podem, depois de aprenderem tudo que ouviram nos seminários? Ou pelo menos deveriam ter aprendido.

Infelizmente tenho que concordar com minha amiga, não haverá perdão para esses líderes religiosos, que estudam tanto, leem tanto, e continuam vivendo e ensinando errado.

Que tragédia a pessoa pensar que segue a verdade e no final descobrir que fez tudo errado, é a tragédia da parede errada. E eu não consigo acreditar na inocência dos líderes religiosos, porque estudam e deveriam conhecer a verdade. A tragédia deles será grande.

“Explicam os nossos sábios que cada um é julgado de acordo com seu nível espiritual. Quanto maior o nível de uma pessoa ou povo, maior é a rigorosidade do seu julgamento. Por quê? Pois quanto maior o nível de uma pessoa, mais ela influencia o mundo inteiro e, portanto, seus erros atingem de forma mais intensa as pessoas. Comparando com uma empresa, se o faxineiro comete um erro, a empresa fica um pouco mais suja, mas não deixa de funcionar. Porém, se o presidente comete um erro, a empresa pode falir.” Efraim Birbojm

P.S.: E o mais triste de tudo é que muitos de nós, antes de sairmos do sistema, ouvimos de sacerdotes religiosos algumas palavras infelizes, bem parecidas com estas:
"É, eu já sabia há muito tempo que ninguém vai morar no céu, mas não posso ficar falando disso no púlpito, vai criar confusão na cabeça das pessoas."
"Sim, você tem razão, é verdade que devemos guardar o sábado e não comer animais impuros e obedecer a todos os outros mandamentos que você falou, mas não posso ensinar sobre isso, porque o povo não vai aguentar, as ovelhas não estão preparadas para isso."
"Eu sei tudo isso, mas não posso falar dessas coisas porque o povo ainda precisa de leitinho, não posso oferecer carne para as ovelhas."
E esses são os líderes religiosos que o povo idolatra cegamente. Muitos admitem que conhecem a verdade, mas continuam ensinando mentiras. E ainda ficam proferindo maldições para quem não quer mais acreditar em suas mentiras.

Ou melhor, as que vivem DA mentira, as que LUCRAM com a mentira,
tipo os líderes do sistema religioso.
(Ilustrações retirada da internet).

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Trechos de 'Um ano bíblico'

Up. Publicado originalmente em 30/ago/2011

Trechos do livro Um ano bíblicode A.J. Jacobs:

“Parece que na Israel antiga – antes de os romanos assumirem – ninguém pagava impostos propriamente ditos. Os dízimos eram os impostos. E o sistema de dízimos era tão complicado quanto um formulário de declaração de imposto de renda. Repartia-se com os sacerdotes, com os mantenedores do templo, com o próprio templo em si, com os pobres, as viúvas e os órfãos. Portanto, suponho que, ao menos por enquanto, é provável que dar o dízimo após os impostos esteja certo.”

“Saio cedo da reunião – devo cuidar do meu filho –, mas retorno na semana seguinte para bater um papo com Ken. Ele me explica que sua jornada em direção ao ateísmo começou quando, ainda criança, descobriu que Papai Noel não podia existir.
— Simplesmente não era viável entregar todos aqueles presentes. Isso foi bem antes de surgir o FedEx.
Assim, Ken percebeu a falsidade do Papai Noel devido a falhas de logística.
— Comecei a me perguntar: o que mais eles estão me contando que não pode ser verdade? – continua.”

Percebi que estava me parecendo com o que se conhece em hebraico como um chassid shote. Um idiota correto. No Talmude há uma história a respeito de um homem piedoso que não salvaria uma mulher que estivesse se afogando porque temia estar quebrando a proibição de não tocar em mulher. O exemplo supremo de um tolo religioso.
A moral da história é a mesma da parábola de Jesus sobre o Bom Samaritano: não se deixe prender tanto às regras a ponto de esquecer das coisas mais importantes, como a compaixão e o respeito pela vida. O idiota correto é como a Bíblia cristã chama o fariseu – um dos santarrões hipócritas e legalistas que criticavam os seguidores de Jesus por colher grãos de trigo durante o sábado judaico.”


“Levei três segundos para comer cada cereja. Três segundos para comer, mas pelo menos cinco anos para serem produzidas. Parecia injusto com relação ao trabalho duro da cerejeira. O mínimo que eu podia fazer era dedicar toda minha atenção à cereja durante aqueles três segundos, realmente apreciando a acidez da casca e o ruído de quando tritura a fruta. Acho que isso se chama estar cuidadosamente atento, ou estar presente àquele momento, ou ainda tornar o mundano sagrado. Seja o que for, estou fazendo mais disso. Assim como a ridícula e enorme lista de agradecimentos para o meu homus tahine, o tabu das frutas me fez ficar mais consciente de todo o processo de produção, da semente, do solo, dos cinco anos regando e aguardando. Eis o paradoxo: eu pensava que a religião me faria viver mais com a cabeça nas nuvens, mas na maioria das vezes ela me prende a este mundo.”

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Crítico profissional

Up. Publicado originalmente em 2008

"Procurar interpretar as coisas sem examiná-las é um escudo muito popular entre os covardes." Rick Joyner

"Mas eles difamam o que desconhecem e são como criaturas irracionais, guiadas pelo instinto, nascidas para serem capturadas e destruídas; serão corrompidos pela sua própria corrupção! Eles receberão retribuição pela injustiça que causaram." 2Pedro 2.12,13a

Você confiaria em um crítico de cinema que não assiste aos filmes que critica? Ou em um crítico de restaurante que não come nos restaurantes que avalia? E mais, você daria crédito a um crítico sobre um assunto específico que tenha lido apenas um único livro sobre o assunto? Ninguém daria, certo?

Então, por que alguns têm dado ouvidos a pessoas do tipo não-comi-e-não-gostei, não-li-e-não-gostei, não-conheço-e-não-gosto?

Sim, porque muitas pessoas estão fazendo isso. Alguém não concorda com alguma coisa, que ouviu de outro alguém que não concorda também, que por sua vez ouviu de outro alguém que não sabe nada do assunto, mas não gosta. E assim, cria-se uma teoria de que aquela coisa não é boa. Infelizmente é assim que tem acontecido e as pessoas estão dando crédito a qualquer um.

Quando se quer uma opinião sobre algum assunto, procuramos um especialista, alguém que estudou, que dedicou a sua vida a esse tema. Mas quando se trata de boatos, empresta-se os ouvidos a quem que não tenha autoridade sobre o assunto.

Para ser crítico profissional, a pessoa deve estudar bastante o assunto e afins. Deve pesquisar, conhecer a fundo seu objeto de crítica. E a pessoa passa a ser uma autoridade no assunto.

Sendo assim, se alguém quer ser "crítico profissional" de um grupo, deveria se dedicar a estudar esse grupo. Estudar mesmo, e não ir apenas uma vez em uma reunião e sair dizendo que sabe tudo sobre o assunto e falando mal daquele ministério. Deveria ler todos os livros que eles indicam, deveria ser assíduo e não um simples visitante. Deveria entrevistar as pessoas, ouvir os dois lados quando houver opiniões diferentes. Para ser crítico mesmo, de verdade, com autoridade, a pessoa deveria até fazer parte da liderança daquele grupo. Assim, provavelmente ela poderia ter autoridade para emitir sua opinião.

Mas esse "crítico profissional" não poderia deixar-se contaminar com mágoas pessoais. Se ele sair desse grupo por ter se sentido ofendido ou injustiçado, ele não pode ser um "crítico profissional". Sabe-se que não há ninguém totalmente imparcial, não é disso que estamos falando. O crítico vai falar com base no seu gosto pessoal, óbvio. Mas ele não pode estar contaminado por mágoa, ressentimento ou amargura. Sua opinião estará também contaminada. Não terá o mesmo crédito e nem a mesma autoridade que deveria ter.

Pense nisso da próxima vez que alguém falar mal de um grupo ou de uma pessoa para você. Pense se esse alguém tem autoridade para falar do assunto. Pergunte quantos livros ele leu, quantas reuniões ele foi e quantos quilos de sal ele comeu junto com a pessoa de quem ele está falando. Depois verifique se não há mágoa junto com a opinião.

Então, faça a oração que sempre faço: "Pai, confirme se isto é verdade. Prove para mim se estou certa ou errada. Revela-me a verdade." E esqueço o assunto. Espero. E o Eterno sempre manda a confirmação. Mesmo que seja um ano depois, Ele manda.

Mas se você quiser se tornar um "crítico profissional" e sair emitindo sua opinião para outras pessoas, tentando convencê-las, não fique com a opinião de outra pessoa. Investigue você mesmo, com seus próprios olhos. Mergulhe no assunto. Estude, pesquise, conheça de fato. E ore para que o Eterno te dê discernimento.

Se não você vai se tornar "um cego guiando outro cego", e vai ser mais um que julga os outros, mais um maledicente, mais um espalhador de penas, que depois de espalhadas ao vento, ninguém consegue reunir novamente.

Antes de criticar, faça o dever de casa:
1 - Quantos especialistas no assunto você entrevistou, ouviu com o coração aberto, entendeu seus questionamentos?
2 - De quantas reuniões de grupos diferentes sobre o assunto você participou?
3 - Quantos livros e artigos sobre o assunto você leu?
4 - Quantas palestras sobre o assunto você ouviu?

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