Publicação fixa: Argumentos lógicos X tratados teológicos

Meus textos questionando o sistema religioso e as mentiras do cristianismo são sempre com argumentos de raciocínio lógico, porque para mim vale o que está escrito sem interpretações humanas, sem oráculos para traduzir o texto... Continue lendo.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Que rei é você?

Publicado originalmente em 7/maio/2012

Você é do tipo Davi, que se arrepende quando é repreendido, ou é do tipo Zedequias, Acabe e tantos outros, que mandam prender ou matar os profetas (ou ficam magoadinhos e mandam recado no próximo sermão)?

“Então Davi disse a Natã: ‘Pequei contra o Eterno!’ E Natã respondeu: ‘O Eterno perdoou o seu pecado. Você não morrerá’.” 2Samuel12.13

“Zedequias tinha vinte e um anos de idade quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém. Ele fez o que o Eterno reprova, e não se humilhou diante do profeta Jeremias, que lhe falava como porta-voz do Eterno.” 2Crônicas36.11-12

”Josafá, porém, perguntou: ‘Não existe aqui mais nenhum profeta do Eterno, a quem possamos consultar?’ O rei de Israel [Acabe] respondeu a Josafá: ‘Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o Eterno, mas eu o odeio, porque nunca profetiza coisas boas a meu respeito, mas sempre coisas ruins. É Micaías, filho de Inlá’. ‘O rei não deveria dizer isso’, Josafá respondeu. [...] O rei então ordenou: ‘Enviem Micaías de volta a Amom, o governador da cidade, e a Joás, filho do rei, e digam: ‘Assim diz o rei: Ponham este homem na prisão a pão e água, até que eu volte em segurança’.”
1Reis22.7,8,26,27

P.S.: É muito triste ver pessoas sofrendo por causa de erros graves e não se arrependerem. Ah, na teologia delas não há castigo, só graça. Rasga a Bíblia e joga fora. E como eu sei que não se arrependeram? Simples, porque deveriam ter desfeito o que fizeram e isso não aconteceu. Se tivessem feito isso creio que não estivessem sofrendo tanto até agora. Mas preferiram ouvir a teologia da graça barata ao invés de ouvir o Eterno. E quando são confrontadas atacam quem as confronta. Triste, muito triste.

P.S.2: E mais triste ainda é quando a pessoa está sofrendo um castigo tão óbvio, que só não vê quem não quer, porque a pessoa está sofrendo exatamente pelo que fez outra pessoa sofrer, ou ela vive a mesma situação de alguém que foi vítima de uma mentira que ela falou, ou o castigo é tão "olho por olho" e a pessoa não percebe, não reconhece seu pecado, não conserta o que fez de errado, ou não restitui o que roubou da outra. E a pessoa passa por um castigo às vezes bem difícil e que poderia ter sido evitado com um simples pedido de perdão.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Para recordar - Diretas 19

"Sintomas de orgulho: a pessoa é incapaz de dizer 'preciso de ajuda', 'errei, peço perdão', 'por favor' ou 'obrigado'."

"Que eu não perca a capacidade de indignar-me. 'Quando eu perder a capacidade de indignar-me ante a hipocrisia e as injustiças deste mundo, enterre-me: por certo que já estou morto.' Augusto Branco"

"Dependência do Eterno ou morte!"

"Misógino que não permite a esposa trabalhar ou estudar ou ter contato com familiares e amigos ou que proíba a esposa de usar redes sociais e líder religioso que vive decretando jejum de televisão e/ou internet usam a mesma tática dos ditadores comunistas que impedem o acesso à internet e a programas de TV de outros países, porque todos eles sabem que a pessoa bem informada desenvolve senso crítico e não aceita facilmente ser enganada, manipulada e escravizada. Desconfie, abra os olhos, cuidado, não se deixe enganar. Liberte-se!"

"Voltaria para a caverna para passar todo conhecimento adquirido fora da caverna para seus colegas ainda presos. Porém, seria ridicularizado ao contar tudo o que viu e sentiu, pois seus colegas só conseguem acreditar na realidade que enxergam na parede iluminada da caverna. Os prisioneiros vão chamá-lo de louco, ameaçando-o de morte caso não pare de falar daquelas ideias consideradas absurdas." (parte de O mito da caverna, de Platão)

"Sinto muito, Augusto Comte, mas eu rejeito o seu Positivismo. Sim, eu quero saber o 'porquê' das coisas, eu quero entender a origem para tratar a causa, e não os efeitos. Eu quero ter respostas. Odeio a ignorância. Odeio!"

"Will: __ As pessoas perderam empregos, terras... Não podem sustentar as famílias e muito menos um picareta como você. Faça-lhes um favor, vá embora. Jonas: __ Você é direto, Will, então eu também vou ser. Digamos que eu seja o que você disse que sou. Em Nova York, um show desse na Broadway custa US$65 por pessoa. E isso é só a entrada. Talvez a pessoa goste do show. Talvez não, e se arrependa. Eu faço um bom show para a minha plateia. Muita música e alto astral. A maioria das pessoas volta para casa mais esperançosa." (Do filme Fé demais não cheira bem: verdadeiros milagres, a preços acessíveis.)

"♫♫ 'Não adianta ir à igreja rezar e fazer tudo errado.'♫♫ Ou seja, não obedecer a TODOS os mandamentos e acreditar na mentira de que só alguns foram abolidos. Ou tenha coragem e seja coerente, rasgue o VT e jogue fora e não cite NADA dele, não siga NADA dele, e pare de citar e seguir só as partes que acha conveniente. "Se, porém, não lhes agrada servir ao Eterno, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Eterno [e somente a ele, e obedeceremos a TODOS os seus mandamentos, e não a regras humanas]". Josué24.15"

"No início da minha juventude, há mais de 20 anos, havia um sentimento coletivo de vergonha de ser brasileiro e muuuuitas piadas eram repassadas de bar em bar, não havia internet, nem Facebook, mas os memes reais eram motivos de muito riso. Aí o tempo foi passando e algumas pessoas foram tentando melhorar a imagem do Brasil para os brasileiros, inventaram uma música para que todos pudessem dizer que são "brasileiros, com muito orgulho, com muito amor", e já na era da internet, ainda por e-mail, passou a circular em forma de corrente uma carta de uma brasileira que morava no exterior em que ela enaltecia as coisas boas do Brasil. E aos poucos o orgulho de ser brasileiro foi aparecendo... Mas... Durou muito pouco. Estou revivendo meus anos de juventude vendo os memes virtuais e percebendo novamente uma vergonha coletiva de quem nasceu tupiniquim. Será que vem outra musiquinha por aí para tentar salvar a Pátria, amada, idolatrada? Pior que uma das piadas nem vai mais fazer sentido, porque agora já temos terremoto, já temos quase furacão, e continuamos com o mesmo Zé povinho."

"Estou perplexa e preciso desengasgar, porque anda circulando no Facebook um meme com uma pérola atribuída a John MacArthur Jr (se é que ele disse mesmo isso), com o seguinte texto: 'A igreja não é perfeita, nunca o foi! Algumas pessoas usam este fato como desculpa para manterem-se afastadas da igreja, dizendo: ‘Eu gostaria de frequentar uma igreja, mas há muitos hipócritas ali’. Neste caso, eu penso: “Venha, temos lugar para mais um!’ E o mais assombroso é que em uma só página do Facebook houve mais de 2.500 compartilhamentos e em outra mais de 4.600 compartilhamentos da infeliz frase. Como pode seres pensantes concordarem com tal absurdo? Não questionaram, simplesmente acharam bonitinha e compartilharam? Além das ameaças aos que querem sair e aos que já saíram do sistema, agora o desespero por números está pregando isso? Não é mais a mensagem de transformação, mas a mensagem de que tudo bem ser hipócrita? E com essa pérola eles estão assumindo que são hipócritas? Eu, heim, estou mesmo fora. Amando ser livre. E mais uma vez eu pergunto É pecado buscar a perfeição? Onde está escrito isso?

"Uns são da sexta, outros do sábado, outros do domingo. Eu escolhi o sábado porque escolhi a Torah."

"Hoje resolvi ligar a TV de manhã e estava passando o filme O show de Truman e fiquei aqui vibrando com o final, a libertação do escravo. Bem apropriado para o momento Coreia em que estamos vivendo, quando quase 24 milhões de escravos não sabem que são trumans, porque são proibidos de conhecer o resto do mundo, não podem ler, não têm acesso à informação e são ameaçados se tentarem fazer isso. E é só assim que se pode manter um ditador no poder e manter escravos acreditando no paraíso. Qualquer semelhança não é mera coincidência com as várias vezes em que ouvi dentro do sistema frases como 'Cuidado com a comida servida em outros pastos', 'Cuidado com os autores que anda lendo', 'Façam propósito sem internet, sem TV', 'Cuidado com as ideias de fulano'. Para que os trumans se libertem é preciso saber que são escravos. Liberte-se do sistema, saia da escravidão, não aceite ameaças. Amando ser livre."

Perdoar não é tão simples como dizem

Publicado originalmente em 10/jan/2011

Continuação de Perdão e confiança

Tem P.S. no final.

Perdoar é muito mais complexo do que a sociedade e a religião ensinam, principalmente porque não entendem a diferença entre perdoar e confiar ou restaurar a comunhão. São coisas diferentes.

Todos nós conhecemos pessoas que foram traídas e não querem comunhão com o traidor que não pediu perdão. Mas as pessoas em volta ficam repetindo para quem foi traído que deve perdoar, que deve esquecer, “Ah, já passou tanto tempo e você ainda pensa nisso?”. Diz o ditado que quem bate esquece, quem apanha, não. Triste é que não vejo as pessoas pressionando o traidor para pedir perdão ou se arrepender. Normalmente querem que a pessoa traída perdoe sem que o traidor peça perdão.

P.S.: A mensagem principal da Bíblia é "arrependa-se", e não "perdoe". Mas a moda agora é pedir que as pessoas perdoem tudo. Quando é que vão começar a pregar arrependimento? Nem o Eterno perdoa a quem não pede perdão.

Não consigo fazer essa leitura nas palavras do Eterno, que eles usam para convencer quem foi traído liberar perdão. Não consigo imaginar o Eterno dizendo que deveríamos ser bobos e fingir que não estamos vendo as mentiras e armações das pessoas e deixar que elas nos enganem, que nos explorem, que se aproveitem da nossa boa vontade, e no final nos apunhale pelas costas, e que depois deveríamos perdoar, esquecer, sem que a pessoa peça perdão. Não entendo mesmo isso.

O que vejo em toda a Bíblia é a mensagem de arrependimento. É só pesquisar quantas vezes aparece a ordem “arrependam-se” na Bíblia. Eu já pesquisei, é muita coisa. E não vejo o Eterno perdoando ninguém sem que a pessoa tenha se arrependido e pedido perdão. Esse é o padrão dele e de sua Palavra, arrependam-se.

Por exemplo, como se perdoa uma pessoa que para prejudicar um adulto chega ao limite da crueldade contra uma criança? O alvo da vingança é o adulto, mas quem é maltratado é um inocente, indefeso, incapaz como diz a Justiça. Como se perdoa isso, principalmente se o agressor não pediu perdão?

Como pode alguém maltratar, deixar passar fome e roubar o futuro de uma criança, quase bebê, para se vingar de um adulto? Isso é um nível muito grande de crueldade e maldade.

Será que a pessoa e os seus apoiadores não perceberam que o adulto não foi o prejudicado nessa história? Ninguém vê que a verdadeira vítima é a criança, incapaz de se defender? Quem vai ficar com uma ferida na alma, o adulto que tem entendimento, ou a criança que não pode ainda tomar decisões e nem sabe que está sendo usada para o mal? Quem vai sofrer mais?

Alguns anos depois, ainda que essa pessoa se arrependa, ainda que peça perdão ao adulto, suposto alvo da vingança, ainda que isso aconteça, será que esse perdão vai consertar alguma coisa? Porque o traidor deveria pedir perdão para a criança, a verdadeira vítima da traição. Mas ainda que peça perdão para a criança, essa pessoa vai conseguir reparar o erro que cometeu, vai conseguir devolver o que roubou do inocente? A resposta é NUNCA MAIS. Nunca mais alguém vai conseguir restituir o que foi tirado de uma criança desse jeito. Os anos já se passaram, não tem como voltar atrás.

E engana-se quem pensa que pode maltratar e ser cruel com um dos pequeninos do Eterno e não sofrer castigo. Não podemos zombar do Eterno e a vingança pertence a ele. Ele é justo e com certeza está olhando pelas crianças. E ai daqueles que fizerem sofrer um incapaz. Eu não queria estar na pele deles quando o Eterno começar a pesar a mão sobre eles.

Pensando nesse exemplo consigo entender porque o Eterno, apesar de ter perdoado Davi, não curou o filho, fruto do adultério, e o bebê morreu. Agora faz sentido porque o Eterno não retira a consequência de alguns pecados. Davi – e as outras pessoas na mesma situação –, não podia reparar o mal que havia feito. Urias já estava morto e ele não podia trazê-lo de volta e restaurar o casamento dele com Bate-Seba. Nem com todo arrependimento e choro do mundo Davi poderia fazer isso. Impossível. Por isso o Eterno não atendeu a oração de Davi curando o filho de Bate-Seba.

Agora entendo porque há pecados que são perdoados e as consequências retiradas, mas há pecados em que isso não é possível, porque não há como reparar o erro cometido, não há como consertar, restituir, voltar o tempo.

P.S.1: E mais triste ainda é quando a pessoa está sofrendo um castigo tão óbvio, que só não vê quem não quer, porque a pessoa está sofrendo exatamente pelo que fez outra pessoa sofrer, ou ela vive a mesma situação de alguém que foi vítima de uma mentira que ela falou, prova do próprio veneno, ou o castigo é tão "olho por olho" e a pessoa não percebe, não reconhece seu pecado, não conserta o que fez de errado, ou não restitui o que roubou da outra. E a pessoa passa por um castigo às vezes bem difícil e tanto sofrimento que poderia ter sido evitado com um simples pedido de perdão.

E chame como quiser: prêmio e castigo, carma, lei do retorno, consequências, justiça divina, recompensa... Tanto faz, o resultado é o mesmo: colhemos o que plantamos. E "quem semeia vento colhe tempestade".

P.S.2: Quando falo sobre não perdoar quem não pede perdão, muita gente me olha com cara de espanto e outras até discordam e tentam "pregar" para mim, principalmente citando textos contrários à Torah. Até entendo que aprenderam errado sobre o conceito de perdão e ficam repetindo o que seus líderes falam na lavagem cerebral dominical. Mas não perdoar, ou não querer assunto, ou não querer comunhão, ou não querer conviver com a pessoa que foi cruel, feriu, agrediu, e NÃO se arrependeu, NÃO reconheceu o erro e NÃO pediu perdão, NÃO significa guardar mágoa, rancor, amargura no coração. Não mesmo. Posso perfeitamente não querer assunto com quem me feriu e ainda assim não ter ódio nem mágoa nem amargura, e tenho o direito de não querer conviver para não me violentar e para não dar chance de ser ferida de novo. Não sinto mágoa, amargura etc, o que sinto é decepção, é impotência diante da injustiça, é tristeza pela pessoa não se arrepender, por ver tanta dureza de coração, apesar de tantas vezes ter sido confrontada. E todos os sentimentos eu coloco diante do Eterno em oração, limpo meu coração diante dele, confesso todo desejo de justiça com as próprias mãos, confesso todo desejo mau do meu coração, confesso todo pensamento de violência, peço perdão pelas palavras de maldição que eu possa ter dito na hora do sangue quente, libero perdão para a pessoa em oração e peço que o Eterno perdoe a pessoa. E não oro pedindo justiça, oro pedindo arrependimento para a pessoa que me feriu, e pedindo misericórdia para mim. Não fico alimentando mágoa, mas também não vou fingir que nada aconteceu e "esquecer" o que a pessoa fez e restaurar comunhão com quem não pede perdão. Enfim, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E repito, se nem o Eterno perdoa quem não se arrependeu e não pediu perdão, por que eu haveria de perdoar? Resumindo: não sou obrigada a conviver com pessoas que contribuíram para uma criança passar fome e não reconhecem que erraram, não pedem perdão e nem corrigem o erro. Mas posso e vou continuar dizendo que estão errados, vou continuar confrontando a maldade que fizeram, e isso não significa que estou com mágoa nem amargura, só significa que não vou me calar diante de uma injustiça e uma crueldade tão grandes.
P.S.3: E indignação não é amargura. "Indignação: sentimento de cólera ou de desprezo experimentado diante de indignidade, injustiça, afronta" (Houaiss). Que eu não perca a capacidade de indignar-me. "Quando eu perder a capacidade de indignar-me ante a hipocrisia e as injustiças deste mundo, enterre-me: por certo que já estou morto" (Augusto Branco).

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Histórias de infância: sou medrosa

Vivo adiando começar uma série de histórias da minha infância, mas hoje me lembrei de uma e finalmente pelo menos uma dessas histórias vai pro papel, ou melhor, pro blog.

Sou muito medrosa, sempre fui, desde criança. Nem vou comentar o que passei por causa da história da loira no banheiro das escolas e como eu fugia de filmes de terror. São tantas situações, mas tem uma história de medo que continua comigo até hoje.

Tenho pavor de chegar em casa à noite sozinha. Sempre tive e continuo tendo. Se isso acontece, chego em casa e começo o meu ritual básico: vou em todos os cômodos, acendo as lâmpadas e olho em todos os cantinhos, to-dos mesmo, embaixo das camas, dentro do box do banheiro (trauma de filme que nem vi, rsrsrs), e só depois de fazer tudo isso é que fico mais tranquila em casa.

Não sei se aprendi o ritual com ele, ou se eu já era assim antes, mas um parente estudava em outra cidade e morava na casa dos meus pais nos finais de semana (aliás, vários parentes moraram na casa dos meus pais quando eu era criança e adolescente, sempre havia um agregado em casa, e a criançada gostava muito disso, era uma farra). Geralmente ele chegava na nossa casa na sexta-feira à noite, e nesse dia às vezes a minha família ia à igreja. E em frente à nossa casa havia um pequeno centro de candomblé e o serviço também era às sextas-feiras à noite e da nossa casa ouvíamos bem nitidamente todas as músicas que eles cantavam até de madrugada, e nós, as crianças e ele, ficávamos com medo. Então, muitas e muitas vezes chegávamos da igreja e antes de chegar em casa já sabíamos que ele estava lá, porque de longe víamos todas, to-das as lâmpadas de casa acesas. Como criança não perde uma chance, da rua já começávamos a zoação com ele, as risadas começavam antes de chegar em casa e aquele era o assunto do resto da noite.

E hoje, sempre que passo por situação parecida, quando começo a acender as lâmpadas de todos os cômodos da casa, minha mente sempre retorna àqueles momentos engraçados de infância. Quer dizer, para mim não tem nada de engraçado, porque continuo sendo medrosa com isso, rsrsrs.

Sim, estou muito decepcionada

O P.S. de Não fiquei magoadinha virou post.

Meu pai dizia uma frase muito sábia sobre alguns religiosos: "Quando sobe no púlpito não devia descer, quando desce não devia subir." Continuo afirmando que NÃO saí do sistema religioso porque fiquei magoadinha com as pessoas dentro do sistema e explico tudo lá no texto, e é verdade mesmo, não foi por decepção com as pessoas, mas saí para buscar a verdade e por rejeitar a mentira que a religião prega. Mas houve, sim, uma decepção com os religiosos, só que foi quando eles desciam de seus "púlpitos", fora do ambiente religioso, quando eles eram apenas participantes da sociedade, como empresários, chefes, amigos e familiares. Dentro de seus redutos religiosos esses líderes passam uma imagem de corretos, de íntegros, de sábios, mas fora do sistema, quando são apenas pessoas "comuns", e só quem convive de perto conhece esse lado deles, aí tudo muda. Chefe que inventou motivo para me demitir. Chefe que não falava nem um "bom dia" quando chegava e ainda batia a porta na minha cara, porque a minha mesa ficava virada para a porta da sala dele. Familiares que fizeram fofoca e mentiram sobre mim, e outros que acreditaram nessas mentiras sem nunca terem me procurado para ouvir o meu lado, e prejudicaram de uma forma cruel uma pessoa indefesa e jamais vão poder restituir o que foi roubado dela. E agora, com a morte do meu pai, a atitude de muitos familiares é decepcionante. Os religiosos da minha família foram a maior decepção da minha vida, não como líderes religiosos, mas como parentes.

Muito cansada de ódio, repulsa e defensiva gratuitos. Gratuitos, sim, porque pergunto qual o meu crime e ninguém consegue de me dizer algo concreto. A pessoa não convive comigo, não conversa comigo, não lê o que eu escrevo e se acha capaz de me julgar, condenar e dizer que estou errada. Resultado: se não RESPEITA minhas escolhas, vou me afastar ainda mais, quero mais distância.

Cada um escolhe o meio de comunicação que mais gosta. Prefiro o meio escrito, além de ser mais claro para o entendimento, porque pode-se reler, se houver dúvida, também é um documento. Palavras voam, e se não forem gravadas vai ficar difícil provar quem disse o quê, vai ser uma palavra contra a outra e estou muito cansada de deturparem o que eu digo. E como tenho sido objeto de muita fofoca e mentira, então para certos assuntos e esclarecimentos, se alguém quiser mesmo conversar comigo e OUVIR OS DOIS LADOS, não será por telefone. Não adianta tentar me ligar, porque não vou falar pelo telefone com ninguém sobre as fofocas com meu nome. Só converso por e-mail, ou carta, ou bate-papo do Facebook, ou seja, com tudo documentado. Até posso conversar pessoalmente, olho no olho como gostam de dizer, mas só se for com presença de testemunhas inteligentes e com a conversa devidamente gravada em vídeo. Gato escaldado tem medo de água fria. [Para quem não leu antes, isso não é novo, é um pedaço do texto publicado no meu blog em março de 2012.]

O mundo tá ficando tão sem graça. Você tenta resolver um problema de anos com a pessoa, em que houve muita fofoca e mentira no meio, aí você diz que está decepcionado com isso e isso e isso que a pessoa fez, e pergunta o que você fez para essa pessoa e que resultou em tanto ódio.
Acredito que numa situação assim você espera duas possíveis respostas, em que a pessoa mostraria maturidade e seria superior:
1 - Ou diria que você também a feriu assim, assim e assim, e diria tudo que você fez de mal para ela, e poderia até dizer que não quer mais assunto com você;
2 - Ou diria que sente muito, que está disposta a conversar para colocar tudo sobre a mesa, esclarecer, resolver tudo, pôr uma pedra em cima, passar uma borracha.
Mas aí a pessoa responde: "Chata, boba, feia, carente, maluca, toma diazepam, incoerente, radical, certinha, metida, encrenqueira, herege, fanática, problemática..." E não responde nada concreto, não usa argumentos sólidos, não consegue dizer um nada que você tenha feito de tão grave para ela. Assim fica muito difícil.

E aí converso com uma dessas pessoas em PRIVADO, e outra pessoa toma as dores e se veste de defensor dos oprimidos pela cruela eu, e vem me questionar e me acusar de estar difamando o caráter daquela pessoa em PÚBLICO no Facebook (hã, como assim? a conversa foi privada, dã!), e pelo tom do questionamento a terceira pessoa não leu a conversa com a primeira, ou se leu, assinou atestado de analfabeto funcional, porque não entendeu nada. Por isso não converso sem gravar. Eu, heim! Vão se tratar. DE-SIS-TO.

E só acho que, assim como abrir correspondência alheia é crime, ler conversa privada no Facebook alheio também deve ser crime. E responder no lugar de outra pessoa e se fazer passar por ela, enganando o outro, deve ser outro crime, de falsidade ideológica. Só acho. E estou muito desconfiada de que fizeram isso com o perfil de uma pessoa com quem "conversei", estou achando que quem respondeu não foi a dona do perfil.


Leia também
Última palavra sobre as mentiras com meu nome

domingo, 24 de novembro de 2013

Dica de leitura: Mas como sei que estou no caminho certo?

Mas como sei que estou no caminho certo?
A certeza de estar no caminho certo não tem preço. E a sensação de que "tem alguma coisa errada" ou não pode ser só isso" de-sa-pa-re-ceu completamente.
Primeiro, porque já passei por isso uma vez e conheço os sinais. Sei que não inventei nada disso. Sei que o Eterno me ensina, eu obedeço e depois recebo confirmação de tudo. Ele sempre confirma.
Continue lendo.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Meu pai não estava doente, só estava idoso. Ele não morreu, foi assassinado

"Quando eu perder a capacidade de indignar-me ante a hipocrisia e as injustiças deste mundo, enterre-me: por certo que já estou morto." Augusto Branco


Acordo no dia seguinte com um forte sentimento de indignação e impotência pela injustiça e impunidade deste país sem lei. A pergunta é: a quem devo processar, o hospital, o Estado do Espírito Santo, o Ministério da Saúde? Ou melhor, adianta processar? Vai mudar alguma coisa neste país injusto e idiota ou será só mais um processo dentre tantos milhares que já existem?

Meu pai estava idoso, sim, tentávamos nos preparar para sua partida, porque a morte faz parte da vida. Mas ele não teve direito a uma morte digna e era só isso que eu pedia. Meu pai não estava doente, só estava idoso. Ele não morreu, foi assassinado, foi vítima da incompetência, abuso de poder e ganância do sistema de saúde neste país sem lei.

Meu pai caiu, fraturou o fêmur e foi internado, e ficou esperando por uma cirurgia que nunca houve e nem haveria, porque era nítida a enrolação de todos os ortopedistas, ninguém queria operá-lo. Mas não nos informaram nada disso. E o descaso e incompetência dos médicos o levaram a uma pneumonia e derrame pleural e ele foi morrendo um pouco a cada dia.

Não nos deram opções, não nos deram alternativas, e quando alguém cogitou a possibilidade de levá-lo para casa sem ter feito cirurgia, o sistema e lavagem cerebral venceram e ele foi mantido naquele lugar de tortura e não de cura.

E ainda foi vítima do abuso de poder de uma administração burra, todos formados na idiocracia, porque seus direitos garantidos por lei não foram respeitados. O que dizer de um administrador que decreta uma norma impossível de ser cumprida? Um completo idiota.

Foram tantos os problemas e abusos, ainda vou sentar e fazer um diário completo de tudo o que passamos dentro daquele inferno de hospital, nas mãos de "profissionais" robotizados, idiotas e desumanos. Exames que não foram feitos, sangue que prescreveram e que nunca chegou, remédios que não chegavam no horário e enfermeiras que me chamaram de mentirosa quando ia reclamar do remédio que não veio e que deveria ter vindo há três horas. Fisioterapeuta que "apareceu" uma semana depois de internação, por conta própria, porque ela saiu procurando idosos na ortopedia e "encontrou" o meu pai, mas quando ela vinha só ficava cinco minutos e isso não acontecia todos os dias. P.S.: E a fisioterapeuta mandou colocar um colchão d'água para ele, mas o colchão veio com defeito e ficou vazando água a noite inteira e a pessoa que estava de acompanhante à noite não encontrou enfermeiros no setor para pedir ajuda, e ainda foi acusada de mentir. E de manhã, quando cheguei, tive que pedir três vezes para tirarem o colchão, porque meu pai havia passado a noite toda com as costas na cama molhada, e só fui atendida na terceira vez, três horas depois que cheguei, porque fiz barraco. Médicos que não liam o prontuário, chegavam para a visita perguntando o que houve e o acompanhante tinha que contar toda a história de novo, e na visita seguinte o mesmo médico ainda não sabia que meu pai havia fraturado o fêmur e perguntava o que houve. Médico que não lembrava do que falara na visita anterior, dizia que iam mudar um medicamento, mas não anotava, e depois na prescrição a enfermeira diz que ele retirou dois medicamentos, mas para mim ele disse que seria apenas um. Na outra visita ele não comenta nada sobre isso e depois a enfermeira traz um dos medicamentos que havia sido retirado. Uma bagunça. Esses são só alguns exemplos, as histórias são tantas, dariam quase um livro.

Não, não faltavam médicos ou enfermeiros, bastava chegar no posto de enfermagem na hora das novelas para encontrar três ou cinco enfermeiros olhando fixamente para a TV, concentrados no enredo. Não faltava material, aliás, havia material sobrando e o que vi ali dentro nos 17 dias que fiquei de acompanhante foi um grande desperdício do dinheiro dos nossos impostos.

Eu briguei, esperneei, reclamei com o diretor do hospital, mas nada adiantou, nada. Passei a ser odiada por todos de tanto que eu briguei pelos direitos do meu pai. Cansada, fragilizada, quase surtando, antes que voasse no pescoço de uma enfermeira, vim embora, não suportava mais aquilo tudo, fui além das minhas forças e ainda fui criticada por brigar por dignidade para um ser humano.

Eu sei que esses não são problemas somente daquele hospital, já relatei sobre a violência em hospitais aqui. Mas esse foi o último hospital e um dos piores, com certeza.

Perder meu pai não foi o problema, apenas a morte faz parte da vida, como disse a mãe de Forrest Gump. Lógico que sempre ficaremos tristes e teremos luto, mas o tempo vai diminuindo essa dor. O problema é me sentir violentada e não ter a quem recorrer, não ter com quem reclamar, não ter alguém que lute pelos nossos direitos garantidos por lei neste país sem lei, é estar indignada e me sentir impotente.

Por enquanto só me resta repetir o que escrevi no Facebook quando ainda estava "internada" com meu pai no hospital assassino: "Novamente enfrentando violência no sistema de saúde com meu pai internado com fratura de fêmur e odeio cada dia mais médicos e enfermeiros, e odeio mais ainda administradores de hospital com suas normas burras e absurdas, ou seja, odeio os "cerumanos" (Perdão aos pouquíssimos seres humanos da área)." E repetir também que "pelo menos no corredor da morte o condenado tem direito de escolher a última refeição."

E agora ainda tenho que conviver com a culpa por não ter enfrentado o mundo todo e ter dado ao meu pai um final digno, comendo angu e jiló, cercado por seus familiares. Vou ter que aprender a conviver com isso. Cuidei dele por tanto tempo e no final, vacilei feio.


Extraído de "Asterix entre os pictos"

P.S.: Comentários do Facebook
Eu, heim, gente, todo mundo vivendo o mesmo drama???? Epidemia????? Que levante a mão quem não sofreu violência. Vamos mover uma ação coletiva???????????? Ou vamos embora desta porcaria de país????????? Eu estou mais na segunda opção. Vejam os comentários postados no meu perfil do Facebook:

"Disse tudo, o que você passou, infelizmente continuo enfrentando com meu avô. O descaso é claro, pergunto algo ao médico e ao invés de me responder, ele ri. Eu não aguento mais isso."

"Eu concordo com você, aconteceu com meu pai, tinha dinheiro suficiente para ficar nos melhores hospitais, mas a ganância de um certo irmão abreviou a morte dele. E isso me consome até hoje. Então, "ele" colocou meu pai num hospital carniceiro depois que ele sofreu uma queda, tiramos de lá mas com uma escara terrível nas costas e mesmo colocando num hospital melhorzinho já era tarde demais."

"Entendo sua indignação. Passei o mesmo com os meus avós no hospital assassino!!!! Tenho o mesmo questionamento: a quem processar ????"

"Há 2 anos perdi minha mãe nesse sistema ridículo, por um erro médico, não viram que minha mãe estava com trombose e demorou um mês pra ser transferida e quando foi não adiantava mais nada a não ser amputar a perna. Depois ficou no descaso da saúde pública, sofreu duas semanas, não suportou, e Deus levou. Lembro muito bem como se fosse hoje ela falando que não queria mais ficar neste mundo. Os assassinos do hospital Salgado Filho estão lá trabalhando, revindicando salários, aff, cansa. Isso cansa mesmo. Meus sentimentos, que sei como é isso. O Brasil de poderes."

"Eu também perdi minha irmã por descuido médico. Choque anafilático durante uma tomografia. Eu sei o que você está sentindo."

"Revoltante! Passamos por dias e situações muito difíceis com o nosso filho mais velho por duas vezes internado em um hospital particular. Me senti tão revoltada e impotente quanto você. Até comida estragada eles nos serviram... A auxiliar de cozinha fazia ânsia de vômito enquanto preparava os pratos. Os curativos do meu filho ficaram no chão ao lado do leito da UTI por 3 dias!!!! As refeições não chegavam no horário, muito menos os antibióticos. Fotografamos algumas coisas, procuramos um advogado que de cara classificou nosso caso como "perdido". Guardei tudo numa pasta, chorei muuuuuuuuito e não quis mais falar sobre o assunto. Falar sobre isso me adoece!"

"Eu entendo bem o que você passou, aqui também tem um pouquinho isto, mas não quando eles veem que o idoso tem alguém. Não se culpe, você não tem culpa. Eu entendo o que você está passando, eu muitas vezes aqui tenho que lutar contra moinhos, que nem D Quixote, cuido de minha mãe sozinha, e D`us. Às vezes acho que vou sucumbir, mas D`us me dá forcas, pra lutar contra tudo e contra todos... Só Ele sabe o que passamos e não é fácil. Volta e meia adoeço por conta disto. Por sentir esta impotência, daí eu choro no travesseiro e entrego a D`us, e o que me resta é confiar nEle. Todos os dias mato um leão... Já salvei minha mãe da morte várias vezes... Eu também quero que quando ela partir, parta com dignidade. Eu Te entendo e entendo sua revolta. Oremos pra D`us te dar o consolo amada. Beijos."

"Triste, muito triste! NÃO QUERO perder NUNCA a sensibilidade e a capacidade de indignar-me ante relatos como estes.... Não se culpe amiga, todos temos um limite e o seu foi a uma exaustão diante de tanto descaso! Faça de sua indignação uma voz aos "mudos"! Denuncie, sim! Pois uma transformação para o bem, que aconteça , por menor que pareça, pode livrar alguns de violências tão cruéis. Beijos."

"Não adianta tanto avanço tecnológico se o ser humano não é valorizado. Infelizmente problemas como esse ocorrem no SUS e também no particular, e além de enfrentarmos o desgaste da doença, temos o desgaste da luta por um tratamento digno para nossos familiares. Isso tem que mudar...Vocês fizeram o possível, o sistema é que é falho. Deus de força a toda família."


P.S.2: "Meu nome é Maximus Decimus Meridius, comandante dos exércitos do norte, general das Legiões Felix... servo leal do verdadeiro Imperador, Marcus Aurelius. Pai de um filho assassinado, marido de uma esposa assassinada. E terei minha vingança, nesta vida ou na próxima."