Há 13 anos e dez meses recebemos e assumimos uma missão, cuidar do Joaquim. Missão dada, missão cumprida. E quero aqui agradecer a vocês três, Gláucia, minha irmã caçula, "Engli" (Wendell), marido dela, e Alexandre, meu marido. Muito obrigada por tudo que fizeram pelo Joaquim.
Eu e Gláucia assumimos a tarefa de cuidar de um pai já idoso, com vários problemas de saúde, e desde então dividimos tudo, as alegrias e tristezas, as piadas e os sustos. E minha irmã caçula é uma guerreira. Estivemos juntas nas salas de espera das cirurgias de catarata do velho e da cirurgia para colocar prótese no joelho. E mesmo nas outras duas cirurgias por causa da fratura do fêmur, estivemos juntas em pensamento, porque Gláucia estava recebendo Thalles, que nasceu bem nessa época. Estivemos juntas quando ele sofreu um AVC. E estivemos juntas agora, em mais um hospital, em mais uma fratura de fêmur, que não chegou a acontecer a cirurgia, mas foram 22 dias de internação e sofrimento para ele e para nós, até que Joaquim descansou com seus antepassados.
E ainda estivemos juntas, não fisicamente, mas em comum acordo e apoio, apoiadas pelos maridos, no resgate que precisamos fazer do Joaquim em uma situação delicada e complicada, muito complicada.
"Engli" (como Joaquim o chamava) e Alexandre foram mais que dois filhos para o velho, cuidaram dele melhor do que muitos filhos por aí. Sempre nos apoiando, nunca reclamaram, nunca mediram esforços ou recursos para que tentássemos dar ao Joaquim conforto e cuidado. E em todos esses anos nunca houve um desentendimento sequer sobre dinheiro, nem sobre nada que se relacionava ao Joaquim. O velho confiava nos genros, uma vez Joaquim fez uma viagem longa com outra pessoa e quando chegou ele disse que até para dirigir Alexandre e "Engli" eram mais tranquilos. E realmente tinham toda paciência do mundo e sempre faziam mais paradas nas viagens por causa do velho, mesmo que a viagem ficasse bem mais demorada.
Quando nós ou eles precisávamos procurar casa para morar, nossa exigência aos corretores sempre foi: não pode ter escadas, temos um idoso. Até para escolher carro pensávamos nele, então quatro portas não era luxo, era necessidade.
Nunca faltava em nossas casas a banana, a água tônica, o iogurte e a bala para Joaquim. Em nossas viagens juntos sempre rebocávamos o velho, Angra, Guarapari, ele sempre estava lá nas nossas fotos.
Acho que somos conhecidas pelos nossos amigos como as rebocadoras do velho, porque em muitas festinhas e eventos, lá estávamos nós com ele segurando nosso ombro e andando bem devagar.
Claro que falhamos em muitas coisas com o velho, mas temos a consciência tranquila de termos tentado fazer o melhor para ele.
Por tudo isso e muito mais, quero agradecer a vocês três. E sei que não há nada que eu faça que possa recompensá-los por tudo isso. Então só posso dizer: muito obrigada. Sei que Joaquim também diria isso.
E como ele também dizia sempre que fazíamos uma comida que ele gostava: podem continuar fazendo.
E que Joaquim descanse em paz.
Um pouco de tudo, muito sobre mim, meu olhar sobre o mundo, minhas dicas culinárias e meu caminho de teshuvah. Penso, logo questiono. Questiono, logo incomodo. A certeza de estar no caminho certo e a sensação de que "tem alguma coisa errada" de-sa-pa-re-ceu.
Publicação fixa: Argumentos lógicos X tratados teológicos
Meus textos questionando o sistema religioso e as mentiras do cristianismo são sempre com argumentos de raciocínio lógico, porque para mim vale o que está escrito sem interpretações humanas, sem oráculos para traduzir o texto... Continue lendo.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Joaquim Vitório
Joaquim de Assis Vitório
8/mar/1925 - 20/nov/2013
Em 20/nov/2013, aos 88 anos, Joaquim Vitório descansou com seus antepassados.
E que ele descanse em paz.
Leia também: Meu pai não estava doente, só estava idoso. Ele não morreu, foi assassinado
sábado, 16 de novembro de 2013
Para julgar você precisa conhecer os dois lados da história
P.S.: Se você não viu, não estava na situação, deveria ter muito temor antes de julgar (inocentar ou condenar) e escolher um dos dois lados. Deveria ouvir TODOS os envolvidos, principais e testemunhas. E ainda deveria levar em consideração os antecedentes dos envolvidos, principalmente se você os conhece há muito tempo e sabe quem já mentiu antes (como diria o professor de Nárnia 1), sabe quem já "aprontou" outras vezes. Ou seja, não é simples inocentar ou condenar alguém.
Para julgar é preciso ouvir os dois lados:
E quando há pontos divergentes, deve-se fazer uma acareação:
"A acareação, também conhecida como acareamento, é uma técnica jurídica que consiste em se apurar a verdade no depoimento ou declaração das testemunhas e das partes, confrontando-as frente a frente e levantando os pontos divergentes, até que se chegue às alegações e afirmações verdadeiras.
A acareação é um procedimento onde acusados, testemunhas ou ofendidos, JÁ OUVIDOS, são colocados face a face para esclarecer divergências encontradas em suas declarações. A acareação pode ser requerida pelas partes ou determinada de ofício pelo juiz. Entretanto, a acareação não é uma etapa obrigatória do processo, sendo a sua concessão uma faculdade do juiz." (Wikipedia) [grifo meu]
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
Violência obstétrica - como se proteger
Dicas de leitura sobre como se proteger da violência obstétrica (leia mais aqui).
Como estabelecer um diálogo com o hospital que vai te atender no parto?
Como se proteger da violência obstétrica?
E aqui você pode ler uma história positiva em meio a tantas negativas, mas foi positiva porque ela se informou e brigou e gritou pelos seus direitos. Informe-se. Você tem direito a um tratamento digno.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Quem sou eu
Sobre este blog, leia aqui.
Débora Vitório De Bonis
Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
Jornalista e escritora.
Blogueira desde junho/2008.
E também filósofa amadora e antropóloga amadora.
Autora dos livros Libertação é confissão de pecados e Libertação é teshuvah.
Casada com Alexandre.
E meu artesanato é colcha de retalhos.
Penso, logo questiono.
Questiono, logo incomodo.
NÃO sou evangélica, NÃO tenho religião, NÃO tenho igreja, NÃO tenho líder religioso humano. Estou fora do sistema religioso, em completa desconstrução. Mas creio em YHWH, o Eterno, estou aprendendo a obedecer à Torah (Pentateuco), a obedecer a TODOS os mandamentos e estou fazendo teshuvah. Sou sem-religião, mas minha vida é pautada pelos princípios bíblicos e sigo SOMENTE o que está na Torah e não doutrinas humanas. Para saber mais leia Saiba o que, como e porque minha vida mudou.
A certeza de estar no caminho certo não tem preço. E a sensação de que "tem alguma coisa errada" ou "não pode ser só isso" de-sa-pa-re-ceu completamente. Mas tenho cuidado para não trocar seis por meia dúzia ou uma jaula pela outra. Não quero jogar fora o bebê junto com a água do banho.
NÃO acredito na frase: "A felicidade não existe, existem momentos felizes!". Acredito em SER feliz, embora tenha momentos de tristeza.
Sigo o calendário oficial de Israel para festas bíblicas e não comemoro festas pagãs e também não comemoro aniversário.
"Então, eu tive aquele encontro com o Eterno [e com a Torah] do qual nunca me recuperei". Tommy Tenney
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
Violência obstétrica - A voz das brasileiras! ou Violência no sistema de saúde no Brasil - A voz dos pacientes!
Estou novamente passando mal com um assunto, como aconteceu quando comecei a pesquisar e escrever sobre misoginia. E como escrevi naquela época, vou repetir minhas palavras, porque é assim que estou me sentindo hoje:
"Quanto mais mergulho na pesquisa e medito no assunto, mais me dá vontade de bater muito em um saco de areia – para não bater nos desumanos que conheci. Estou irada! Meu estômago está revirado, minhas entranhas se contorcendo, um frio intenso na barriga, ansiedade, insônia, porque, a mente não para de pensar, pensar, pensar, enfim, meus sintomas de assunto-bomba e de revelações chegando aos montes. Sinto que vou explodir."
O assunto agora é esse do título e começou quando assisti ao vídeo Violência obstétrica - A voz das brasileiras! e ao trailer do filme O renascimento do parto. E depois de quase surtar, comecei a ler sobre o assunto, e quanto mais eu leio, mais indignada vou ficando.
Diferente do assunto misoginia, desta vez a indignação é pessoal, não porque tenha sido vítima da violência obstétrica, pois não tenho filhos, mas porque somos todos vítimas da violência médica, por isso coloquei um "ou" e aumentei o título do post. E como escrevi no Facebook, "peço perdão aos bons profissionais da saúde (conheci pouquíssimos), mas acompanhando meu pai em vários hospitais, várias cirurgias [catarata nos dois olhos, prótese no joelho, duas cirurgias por causa da fratura do fêmur, e ainda houve um AVC], inúmeras consultas, sendo acompanhante de outros dois idosos em um hospital, e acompanhando um pós-parto, me sinto como essas mulheres do documentário e até hoje tenho gritos presos na garganta. Sei que a dor delas é muito maior, nem posso comparar, mas senti na pele como é ser tratado como lixo dentro dos hospitais e consultórios médicos."
"Quanto mais mergulho na pesquisa e medito no assunto, mais me dá vontade de bater muito em um saco de areia – para não bater nos desumanos que conheci. Estou irada! Meu estômago está revirado, minhas entranhas se contorcendo, um frio intenso na barriga, ansiedade, insônia, porque, a mente não para de pensar, pensar, pensar, enfim, meus sintomas de assunto-bomba e de revelações chegando aos montes. Sinto que vou explodir."
Hoje acordei como se estivesse de ressaca, como se um trator tivesse me atropelado ontem, como se tivesse levado vários socos na boca do estômago. Estou muito indignada, irada, com vontade de gritar, de bater em alguém, sufocada.
Tenho tantas histórias de desumanidade que sofri e vi nos hospitais, públicos e particulares, que poderia gravar um documentário parecido. E tenho certeza de que levaria uns 50 anos para gravar depoimentos de pessoas que sofreram violência médica no sistema de saúde no Brasil. Quem não tem uma história para contar que levante a mão.
Como recordar é viver, estou revivendo toda a humilhação, toda a indignação, toda ira, toda revolta, toda incredulidade, toda violência que vivi nesses hospitais e consultórios. Cada depoimento que ouvia me fazia reviver tudo que passei com médicos, enfermeiros e recepcionistas desumanos, que gritaram comigo, que não deram informação correta, que não ensinaram nada, que praticamente me disseram "se vira", que me trataram como uma idiota, que me roubaram vários direitos, que trataram meu pai com crueldade, que pegaram o bebê que havia acabado de nascer como se pega um cachorrinho, pelo pescoço, sem nenhuma delicadeza (aliás, devem tratar muito melhor seus cachorrinhos e bichinhos de estimação). Estou revivendo a humilhação de um assédio sexual que sofri em um consultório de dermatologia, e também estou revivendo a agressão de me sentir cobaia nos tratamentos de rinite alérgica e ainda ter sido forçada a fazer infiltração no nariz sem saber antes o que iria acontecer e quando percebi havia uma agulha sendo enfiada nas minhas narinas e uma injeção sendo aplicada em cada uma e nem quero descrever o que senti naquele momento. E esses dois casos aconteceram na rede particular, quando eu tinha um dos melhores planos de saúde da época.
E como reviver pode trazer cura interior, espero que eu esteja purgando todas essas dores e gritos sufocados com a ajuda de outras pessoas que sofreram muito mais do que eu, ouvindo o depoimento delas, sentindo a dor delas, chorando com elas. Que venha a cura, enfim. Tá doendo, mas que seja para ser curada.
E novamente vejo o padrão acontecendo, as pessoas sofrem essas coisas e pensam que é só com elas, e de repente alguém se atreve a falar, a denunciar, e aí começamos a perceber que não, não foi só comigo, tem muuuuuuuita gente sofrendo como eu, mais do que eu, é muita dor, é muita dor.
Assistam aos vídeos, se tiverem coragem.
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Go to Panamá, uma linda surpresa
Não era a viagem dos sonhos, mas se tornou um sonho de viagem.
Decidi escrever este post estilo diário de bordo em agradecimento aos muitos blogueiros que me ajudaram com informações sobre o Panamá. E assim como eles me ajudaram, espero também contribuir com outros turistas que vão passar por lá.
Panamá não estava na minha lista “Antes de ficarmos velhos”, mas agora entrou como item já realizado. Não programamos ir ao Panamá, fomos a trabalho e depois de pesquisar e ver as fotos e opções do que fazer, decidimos ficar mais uns dias para passear. E apesar do pouco tempo que tínhamos – uma tarde, dois dias completos e uma manhã, conseguimos visitar lugares lindos.
Confesso que só sabia que o Panamá tinha o famoso canal e o famoso chapéu, até havia assistido ao filme O alfaiate do Panamá, mas não lembro da história direito, vou ter que rever agora, e não sabia mais nada, nem onde ficava direito. Mas enquanto pesquisava sobre o país, ficava impressionada com tanta coisa boa para fazer por lá e apaixonada pelas paisagens. E Panamá foi entrando na nossa lista e eu ficando animadíssima para chegar logo.
Fazer compras não era nosso foco, nem somos especialistas no assunto, mas como todos disseram que Panamá é um dos principais destinos de compras para os brasileiros, resolvemos conferir. Seguindo os conselhos, fomos ao enorme Albrook Mall, que tem fama de ter preços médios, andamos muito e nem chegamos ao segundo piso, encontramos nosso objetivo principal, pesquisamos preços, compramos dois itens extras, cansamos e voltamos ao hotel. Na manhã do último dia fomos a outro shopping, o Multicentro Panamá, que ficava pertinho do nosso hotel, e apesar de ter fama de ser mais caro que o outro, encontramos alguns preciosos achados com preços interessantes. Mas a grande surpresa foi o aeroporto. Aquilo não é um aeroporto, é um grande e diversificado shopping, muitas lojas, muitas mesmo (que diferença do aeroporto do Rio, melhor nem comentar). Na ida não tivemos tempo de conhecer direito, porque havia uma pessoa nos esperando, mas na volta chegamos bem cedo e tivemos tempo de andar bastante. E agora podemos confirmar que compras no Panamá é tudo de bom e nem precisa sair do aeroporto, que para nós foi o melhor de todos os shoppings que visitamos. É, mesmo para não consumistas como nós, dá vontade de voltar lá e nem sair do aeroporto e aproveitar as novidades que não encontramos por aqui.
Enfim, chegamos ao que mais nos interessava: passeios. Ver o canal e as eclusas foi parte do evento oficial, por isso não voltamos para visitar como turistas. Depois tivemos apenas dois dias inteiros livres e muita coisa para conhecer, então escolhemos dois lugares de maior interesse para nós. Os dois destinos mais famosos ficaram fora da lista, San Blas e Bocas del Toro, por serem longe e na nossa avaliação não valeria a pena ir com tão pouco tempo. Mas eu queria pelo menos colocar os pés no Mar do Caribe, então no primeiro dia fomos de trem até Cólon e de lá fomos de táxi até Portobelo. Na estação do trem há vários taxistas oferecendo o serviço de ida e volta, eles levam até o porto e ficam esperando por três horas e trazem o turista de volta à estação. Acontece que o trem sai da Cidade do Panamá (capital do Panamá, onde ficamos hospedados) às 7h15 da manhã e chega em Cólon às 8h15, e volta às 17h15, então chegaríamos na estação muito cedo, às 14h30 nos nossos cálculos, aí fui perguntar ao taxista onde pegávamos o ônibus para voltar à tarde, mas ele logo se ofereceu para nos levar de volta ao hotel e fez um preço bem legal, e isso foi bem prático, porque não ficamos esperando por trem ou ônibus e chegamos cedo para descansar, porque praia cansa, rsrs, e no dia seguinte haveria outro passeio. A viagem de trem é uma gracinha, seguimos beirando o canal quase o tempo todo e passamos por dentro de uma grande floresta.
Decidi escrever este post estilo diário de bordo em agradecimento aos muitos blogueiros que me ajudaram com informações sobre o Panamá. E assim como eles me ajudaram, espero também contribuir com outros turistas que vão passar por lá.
Panamá não estava na minha lista “Antes de ficarmos velhos”, mas agora entrou como item já realizado. Não programamos ir ao Panamá, fomos a trabalho e depois de pesquisar e ver as fotos e opções do que fazer, decidimos ficar mais uns dias para passear. E apesar do pouco tempo que tínhamos – uma tarde, dois dias completos e uma manhã, conseguimos visitar lugares lindos.
Confesso que só sabia que o Panamá tinha o famoso canal e o famoso chapéu, até havia assistido ao filme O alfaiate do Panamá, mas não lembro da história direito, vou ter que rever agora, e não sabia mais nada, nem onde ficava direito. Mas enquanto pesquisava sobre o país, ficava impressionada com tanta coisa boa para fazer por lá e apaixonada pelas paisagens. E Panamá foi entrando na nossa lista e eu ficando animadíssima para chegar logo.
Fazer compras não era nosso foco, nem somos especialistas no assunto, mas como todos disseram que Panamá é um dos principais destinos de compras para os brasileiros, resolvemos conferir. Seguindo os conselhos, fomos ao enorme Albrook Mall, que tem fama de ter preços médios, andamos muito e nem chegamos ao segundo piso, encontramos nosso objetivo principal, pesquisamos preços, compramos dois itens extras, cansamos e voltamos ao hotel. Na manhã do último dia fomos a outro shopping, o Multicentro Panamá, que ficava pertinho do nosso hotel, e apesar de ter fama de ser mais caro que o outro, encontramos alguns preciosos achados com preços interessantes. Mas a grande surpresa foi o aeroporto. Aquilo não é um aeroporto, é um grande e diversificado shopping, muitas lojas, muitas mesmo (que diferença do aeroporto do Rio, melhor nem comentar). Na ida não tivemos tempo de conhecer direito, porque havia uma pessoa nos esperando, mas na volta chegamos bem cedo e tivemos tempo de andar bastante. E agora podemos confirmar que compras no Panamá é tudo de bom e nem precisa sair do aeroporto, que para nós foi o melhor de todos os shoppings que visitamos. É, mesmo para não consumistas como nós, dá vontade de voltar lá e nem sair do aeroporto e aproveitar as novidades que não encontramos por aqui.
Enfim, chegamos ao que mais nos interessava: passeios. Ver o canal e as eclusas foi parte do evento oficial, por isso não voltamos para visitar como turistas. Depois tivemos apenas dois dias inteiros livres e muita coisa para conhecer, então escolhemos dois lugares de maior interesse para nós. Os dois destinos mais famosos ficaram fora da lista, San Blas e Bocas del Toro, por serem longe e na nossa avaliação não valeria a pena ir com tão pouco tempo. Mas eu queria pelo menos colocar os pés no Mar do Caribe, então no primeiro dia fomos de trem até Cólon e de lá fomos de táxi até Portobelo. Na estação do trem há vários taxistas oferecendo o serviço de ida e volta, eles levam até o porto e ficam esperando por três horas e trazem o turista de volta à estação. Acontece que o trem sai da Cidade do Panamá (capital do Panamá, onde ficamos hospedados) às 7h15 da manhã e chega em Cólon às 8h15, e volta às 17h15, então chegaríamos na estação muito cedo, às 14h30 nos nossos cálculos, aí fui perguntar ao taxista onde pegávamos o ônibus para voltar à tarde, mas ele logo se ofereceu para nos levar de volta ao hotel e fez um preço bem legal, e isso foi bem prático, porque não ficamos esperando por trem ou ônibus e chegamos cedo para descansar, porque praia cansa, rsrs, e no dia seguinte haveria outro passeio. A viagem de trem é uma gracinha, seguimos beirando o canal quase o tempo todo e passamos por dentro de uma grande floresta.
| Trem chegando em Cólon. |
Geralmente os turistas vão para Isla Grande, mas eu li que era um pouco suja (ah, o “cerumanu”), e também li um texto sobre a Isla Mamey (o texto é de 2011, depois descobri que a ilha não está mais como ela descreveu, as cabanas foram derrubadas) e insisti em ir para lá, mas o texto deu a entender que os barcos saíam de Portobelo e não é bem assim, eles saem de Portolindo, um pouco mais à frente, no mesmo porto em que há barcos para Isla Grande. Mas como paramos em Portobelo e o taxiacuatico de lá não quis ir para Mamey, disse que era longe, mas nos ofereceu ir a três praias ali perto, duas apenas para conhecer e uma para mergulho, decidimos aceitar, afinal era o Mar do Caribe. Então o táxi nos levou ao mercadinho, compramos água e um lanchinho, e partimos para as praias. Lugares lindos, mar delicioso, temperatura agradável, nem quente, nem gelado.
No porto conhecemos Emanuel, um argentino que estava viajando pelo mundo, conhecia o Brasil e falava português, e o que ele mais sentia saudade no Brasil era pipoca com leite condensado. Ri muito e lembrei da minha amiguinha Yohanna. Ele nos ajudou na negociação e foi junto no passeio, como ajudante do barqueiro. Conversamos muito com o jovem argentino e ficamos amigos de berçário. Simplesmente ele tem valores parecidos com os nossos na questão ambiental, alimentação saudável. Ele também não bebe refrigerante, reclamou dos transgênicos, disse que planta uma horta na sua casa e recolheu três sacos de lixo na praia enquanto curtíamos o mar. Se ali naquela praia deserta, sem infra nenhuma, ele recolheu todo esse lixo, nem quero imaginar como seria a Isla Grande. Acho que fizemos uma boa troca. Na última praia havia mais um barco além do nosso, com turistas americanos, e a praia era toda nossa.
Confesso de novo, quase morri de medo. Ficar com o barco parado no meio do oceano esperando as baleias subirem para respirar, mesmo longe delas, não foi a melhor das experiências do mundo, rsrs, eu só imaginava uma baleia embaixo do nosso barco e virando o barco e eu não voltando para contar a história. Filme de terror!!!! Marido não sentiu um milímetro de medo e ficou rindo de mim o tempo todo, mas eu só queria ir embora logo, confesso mesmo. Lindo ver as baleias, mas eu fiquei com muito medo. Depois disso paramos em duas praias lindíssimas para mergulhar apenas com uso de snorkel, porque o compressor para cilindro estava com defeito.
Às 15h30 o ferry saiu e navegamos de volta à Cidade do Panamá. A viagem foi outra aventura. O capitão do ferry parava de vez em quando porque ele via baleias e os turistas tentavam ver e fotografar, mas não conseguimos registrar nada, porque quando ele parava as baleias já estavam subindo e não dava mais tempo. E em uma vez ele fez uma parada brusca, levamos um susto, e ele disse que quase atropelou uma baleia. Eu, heim! E ainda tivemos a companhia de golfinhos, mas não conseguimos fotografar também, peninha.
Apesar de ter pesquisado muito, não consegui antes informações sobre o que havia na ilha e por isso não fizemos reserva de passeio de barco. E o ferry só faz o transporte, mais nada, não faz turismo pelas ilhas. E essa informação também não havia ficado muito clara. De qualquer forma, se não tivéssemos conseguido vaga no barco, teríamos ficado na ilha, que tem uma grande infra, inclusive há hotéis para quem quiser ficar por lá. Há linhas de voos também, mas precisa comprar com antecedência, porque a procura é grande. No final deu tudo certo, mas para quem está indo para lá, fica a dica de comprar bilhetes para o ferry ou para o avião com antecedência e reservar o passeio de barco também.
Quase chegando à Cidade do Panamá, do ferry vimos a Calzada de Amador ou Amador Causeway, mas não pedalamos na calçada, como estava previsto.
No último dia, que dó, snif, fomos ao shopping Multicentro, como falei lá em cima, e no caminho passamos rapidinho no aterro da Avenida Balboa, fizemos umas comprinhas básicas e partimos para o aeroporto. A viagem foi tranquila, sete horas de voo direto para o Rio e voltar à realidade, depois de um lindo sonho de viagem não planejada, mas que vai deixar muita saudade.
Experimentamos quase tudo que lemos sobre o Panamá. Trem e barcos. Atendentes de lojas mal-humorados, mas isso nós temos aos montes no Rio de Janeiro, infelizmente. Táxi dividido com outro passageiro, lá eles fazem isso o tempo todo, se tem lugar vazio e alguém dá sinal, eles param e pegam outro passageiro, foi muito engraçado, mas ainda bem que já estávamos avisados. Os grandes choques culturais ficaram por conta da descarga no banheiro do aeroporto, que eu não consegui descobrir como acionar, sinto muito, e da maître do restaurante que me mostrou a garrafa do vinho para eu conferir e me serviu a prova, e só depois que eu aprovei é que serviu ao meu marido. Fiquei me sentindo, rsrsrs. E a vergonha de ser brasileira foi por conta da internet ser boa e rápida e os celulares dos moradores de lá funcionando no meio do oceano, na praia deserta, na estrada no meio da floresta, e o meu não funciona na minha cozinha.
Se eu voltaria ao Panamá? Com certeza, afinal faltou muita coisa para ver e também faria tudo de novo, mas a lista do “Antes de ficarmos velhos” tem tanto item ainda para ser marcado como realizado...
Dicas de outras páginas sobre o Panamá:
http://www.visitpanama.com/
http://descubrepanamaconcopa.com/pt
http://viajeaqui.abril.com.br/paises/panama
http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/americacentral/panama.shtml
http://viagens.ig.com.br/destinos/jogue-se-nas-compras-no-panama/
http://www.guiadasemana.com.br/turismo/noticia/compras-no-panama
http://www.111diaspelaal.com/?p=116&id=&lang=pt
http://ideiasnamala.com/2012/07/19/panama-dicas-para-planejar-sua-viagem-ou-escala-longa-na-cidade-do-panama/
http://viajandoemfamilia.com.br/panama-by-drika-ferreira/
http://www.nosnomundo.com.br/tag/panama/
http://dopanamapromundo.wordpress.com/
| Portobelo e seus canhões. |
|
| Navegando no Mar do Caribe. |
| Pisando no Mar do Caribe. |
| Praia do Francês, Mar do Caribe, Panamá. |
O barqueiro nos deixou na terceira praia, que foi a escolhida para mergulharmos, e foi abastecer e fazer um transporte para outro barco. Ele demorou um pouquinho, e aí comecei a ficar com medo de termos sido abandonados ali, rsrs. Mas ele voltou no horário perfeito para encontrarmos nosso táxi realmente nos esperando. E o táxi nos levou direto ao hotel, com direito a atravessar a Ponte do Centenário para fotografarmos a ponte e o canal. Serviço de qualidade, viagem tranquila, recomendadíssimo. Enfim, objetivo alcançado com sucesso, navegamos e mergulhamos no Mar do Caribe.
| Nosso taxiacuatico chegando para nos buscar. |
| Canal do Panamá visto de cima da Ponte do Centenário. |
| Ponte do Centenário. |
No dia seguinte nosso destino foi o Caribe do Pacífico, como é conhecido o Arquipélago de Las Perlas. Apesar de reservar pela internet e receber e-mail de confirmação, nosso nome não estava na lista do Ferry boat, mas conseguimos ser encaixados, ufa, e partimos para nossa aventura ruma à Isla Contadora. Uma hora e 40 minutos de viagem tranquila, eu dormi quase o tempo todo, porque o ferry sai às 7h30 da manhã. Na Ilha Contadora havia duas opções, ou ficávamos lá conhecendo as praias da ilha, e o melhor é alugar um carro maneiro ou uma bicicleta, porque caminhando é bem longe, ou pegávamos outro barco para conhecer outras ilhas, observar baleias e mergulhar para ver corais e peixes coloridos. Claro que marido preferiu pegar outro barco com o pessoal da Coral Dreams. Como não fizemos reserva, quase perdemos, mas sobraram duas vagas e novamente fomos encaixados e partimos para a maravilhosa aventura. Eu me senti traindo a Contadora, mas fizemos novamente uma boa troca, e na volta ficamos um pouquinho na Contadora, enquanto esperávamos o horário do ferry.
| Escadaria linda na Isla Contadora |
| Guia da Coral Dreams e turistas de vários países. |
O passeio completo incluía ficarmos no barco no meio do Pacífico para esperar as baleias subirem para respirar. Eu havia lido em algum lugar que a temporada era só em julho, mas devo ter entendido errado, porque a temporada começa em julho e termina em outubro. Ou seja, fomos na época perfeita, sem saber. E vimos baleias!!!!!
| A primeira baleia a gente nunca esquece. |
| Ela é muito rápida, já mergulhou de novo. |
| Parada na primeira ilha. |
| Pisando no Oceano Pacífico, Arquipélago Las Perlas, Caribe do Pacífíco, Panamá. |
| Parada na segunda ilha. |
| Marido vendo lindos e coloridos peixes, ele amou e lamentou não ter comprado uma máquina para fotos embaixo d'água. |
| Navegando no Oceano Pacífico. |
| Isla Contadora, descansando enquanto esperávamos o ferry para voltar. |
| Companhia na Isla Contadora. |
Às 15h30 o ferry saiu e navegamos de volta à Cidade do Panamá. A viagem foi outra aventura. O capitão do ferry parava de vez em quando porque ele via baleias e os turistas tentavam ver e fotografar, mas não conseguimos registrar nada, porque quando ele parava as baleias já estavam subindo e não dava mais tempo. E em uma vez ele fez uma parada brusca, levamos um susto, e ele disse que quase atropelou uma baleia. Eu, heim! E ainda tivemos a companhia de golfinhos, mas não conseguimos fotografar também, peninha.
| O ferry boat chegando para nos buscar. |
Apesar de ter pesquisado muito, não consegui antes informações sobre o que havia na ilha e por isso não fizemos reserva de passeio de barco. E o ferry só faz o transporte, mais nada, não faz turismo pelas ilhas. E essa informação também não havia ficado muito clara. De qualquer forma, se não tivéssemos conseguido vaga no barco, teríamos ficado na ilha, que tem uma grande infra, inclusive há hotéis para quem quiser ficar por lá. Há linhas de voos também, mas precisa comprar com antecedência, porque a procura é grande. No final deu tudo certo, mas para quem está indo para lá, fica a dica de comprar bilhetes para o ferry ou para o avião com antecedência e reservar o passeio de barco também.
Quase chegando à Cidade do Panamá, do ferry vimos a Calzada de Amador ou Amador Causeway, mas não pedalamos na calçada, como estava previsto.
| Calzada de Amador vista de dentro do barco. |
|
| Vista do Canal e da Ponte das Américas, chegando à Cidade do Panamá. |
No último dia, que dó, snif, fomos ao shopping Multicentro, como falei lá em cima, e no caminho passamos rapidinho no aterro da Avenida Balboa, fizemos umas comprinhas básicas e partimos para o aeroporto. A viagem foi tranquila, sete horas de voo direto para o Rio e voltar à realidade, depois de um lindo sonho de viagem não planejada, mas que vai deixar muita saudade.
|
Se eu voltaria ao Panamá? Com certeza, afinal faltou muita coisa para ver e também faria tudo de novo, mas a lista do “Antes de ficarmos velhos” tem tanto item ainda para ser marcado como realizado...
Dicas de outras páginas sobre o Panamá:
http://www.visitpanama.com/
http://descubrepanamaconcopa.com/pt
http://viajeaqui.abril.com.br/paises/panama
http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/americacentral/panama.shtml
http://viagens.ig.com.br/destinos/jogue-se-nas-compras-no-panama/
http://www.guiadasemana.com.br/turismo/noticia/compras-no-panama
http://www.111diaspelaal.com/?p=116&id=&lang=pt
http://ideiasnamala.com/2012/07/19/panama-dicas-para-planejar-sua-viagem-ou-escala-longa-na-cidade-do-panama/
http://viajandoemfamilia.com.br/panama-by-drika-ferreira/
http://www.nosnomundo.com.br/tag/panama/
http://dopanamapromundo.wordpress.com/
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