Quanto mais mergulho na pesquisa e medito no assunto misoginia,
mais me dá vontade de bater muito em um saco de areia – para não bater nos
misóginos que conheço, afinal, sou contra a violência. Claro, não quero pecar,
mas estou irada!
Meu estômago está revirado há dias, minhas entranhas se
contorcendo, um frio intenso na barriga, ansiedade, insônia porque a mente não
para de pensar, pensar, pensar, enfim, meus sintomas de assunto-bomba e de
revelações chegando aos montes. Sinto que vou explodir.
Meu marido não é misógino, o Eterno me poupou disso. Mas
fico me perguntando por que esse assunto mexeu tanto comigo e a resposta vem
direta: porque conheci muitos, muitos misóginos. E olho para os lados, relembro
situações, vejo que estamos cercados por essa doença. E é muito mais grave do
que imaginamos ou pensamos. É uma pandemia, com certeza.
Explico porque penso assim. O livro Homens que odeiam suas mulheres... é perfeito, traz uma visão ampla do assunto, é de fácil leitura, tem
muitos exemplos reais de relacionamentos misóginos. Mas o livro trata da forma
mais grave da misoginia, que são os homens muito agressivos, os que partem para
a violência física. Mas vou lendo e pensando nos homens misóginos que conheci e
muitos não se encaixariam nesse perfil.
E é aí chego à conclusão de que o assunto é muito mais grave,
porque percebo que a maioria dos homens tem tendência à misoginia e muitos não
desenvolvem a doença porque as mulheres se posicionam. E acredito nisso porque
nossa sociedade incentiva a misoginia. É só lembrar das piadas que escutamos
desde crianças, tipo “o homem não sabe porque está batendo, mas a mulher sabe
porque está apanhando”. Posso estar enganada, mas é nisso que penso como mera
observadora da vida. Então, é essa forma mais sutil de misoginia que identifico
na sociedade e é dela que tenho mais medo. Para entender melhor, vou tentar fazer
um retrato dos misóginos que conheci ao longo de toda minha vida, inclusive na
infância.
Uma das minhas primeiras percepções é que muitos desses
homens não gostam de estudar. Alguns até gostam de trabalhar ou não fogem do trabalho, mas são
completamente acomodados nos estudos, eles se contentaram com muito pouco
e se conformaram com uma vida medíocre,
eu diria. Desconfio que alguns não querem estudar porque assim acabarão fazendo
com que suas esposas queiram estudar também, para que seus maridos não tenham
vergonha da pouca escolaridade delas, para poderem se sentir bem com os amigos
do marido, é assim que acontece geralmente. Mas se isso acontecer, elas vão ter
o temido resultado da educação, que é mente aberta, conhecer seus direitos e
não se deixar enganar com facilidade. E tanto os misóginos quanto o sistema
demoníaco do mundo querem que as pessoas continuem limitadas em sua
inteligência, porque assim é mais fácil manipulá-las.
E alguns desses que não gostam de estudar não gostam também
de trabalhar. São do tipo que reclamam do trabalho, do chefe, o tempo todo e
não param nos empregos. Sempre contam uma história de que foram injustiçados,
são sempre as vítimas. E normalmente são sustentados pelas mulheres, mas não
gostam do trabalho das esposas, reclamam, criticam, desmerecem o emprego delas, a profissão delas.
Aliás, os dois tipos implicam dia e noite com o trabalho das
esposas. Alguns casam com mulheres que estudaram e tinham uma carreira
profissional promissora, mas eles sentiam vergonha por não terem estudado,
principalmente quando saíam com os amigos do trabalho dela, eles se sentiam
deslocados e sem assunto. Mas ao invés de se esforçarem para terem um diploma, alguns
se colocam em uma clausura, criticando agressivamente os amigos das mulheres e
impedindo que elas avancem na vida profissional. E acabam afastando as esposas dos amigos delas.
Notei que um que pegava no pesado sem reclamar, dava duro de sol a sol, não permitia que a esposa trabalhasse. Proibiu. Mas ele não
correu atrás, não estudou e não deu a ela a boa vida que deveria ter vindo
junto com a proibição. Uma coisa é opção, outra é proibição. Para proibir ele
tinha que ser muito bom provedor.
E aí entra a forma mais sutil de misoginia, que me assusta,
porque muitos não proíbem a esposa de estudar ou trabalhar, mas vivem dizendo:
“Não proíbo, mas por mim ela não trabalha” ou “Eu prefiro que ela não trabalhe”
e coisas parecidas, que são ditas tantas vezes que acabam fazendo a mulher
desistir dos seus objetivos.
Lembro também de pelo menos cinco misóginos que tinham
pressa de casar. Uns compraram alianças com menos de um mês de namoro. Exatamente
como o livro diz, que eles querem prender logo a mulher, antes que ela perceba
quem eles são.
Percebi que a maioria tinha um ciúme exagerado. Conheci dois
que seguiam as namoradas na rua, vigiavam escondidos. É sério, eu vi isso
acontecer quando era adolescente. Sou testemunha ocular. Outros faziam questão
de levá-las e buscá-las na escola, no trabalho etc, vigiavam descaradamente
mesmo, com a desculpa de que estavam protegendo da violência. E havia um
misógino que conseguiu convencer a esposa de que gostava mais quando ela não
cuidava de um certo detalhe em sua aparência, mas no meu entendimento ele
queria mesmo é que ela ficasse feia por causa do ciúme dele, porque o que ele
disse que era bonito, de jeito nenhum era bonito. Ela estava horrível, isso
sim.
São muitas histórias, muitas mesmo. E a minha conclusão é
que a sociedade está infestada com essa forma mais suave da misoginia e as
mulheres estão sendo oprimidas e humilhadas e roubadas do seu papel o tempo
todo. Por isso tantas com depressão, com estresse, doentes. Mas infelizmente
não se fala disso. E o pior é que muitas mulheres, quando são confrontadas,
estão cegas e negam que os maridos têm problema. A autora do livro fala muito
sobre isso, como o trecho que publiquei aqui em outro post. Precisamos fazer
alguma coisa urgente.
A absolvição das
mulheres – Depois que fui apresentada a essa doença, as mulheres foram
absolvidas e minha visão sobre submissão mudou completamente. Interessante que
li um texto recentemente sobre as deturpações dos ensinos de Paulo sobre
submissão e agora ficaram muito mais claros quando entendi a misoginia. Quem
quiser ler esse e outros textos sobre submissão com outra visão, entre no site
da Torah Viva e baixe os estudos que estão em uma caixa só para eles – alguns títulos são A Mulher no Primeiro
Século, Mulheres, Calem-se?, O Cabeça da
Mulher - Desmascarando o machismo evangélico.
E depois dessas duas revelações, entendi que o ensino da
distorcida submissão feminina – e que defendi no meu livro e agora peço perdão
– reforça e incentiva a misoginia na família e na sociedade, principalmente no meio religioso.
Hoje percebo que isso roubou o papel correto da mulher e
prejudicou tantas crianças, as verdadeiras vítimas de toda essa situação, que
cresceram e se tornaram misóginos, de geração em geração. Claro que
sei que isso é um plano diabólico, mas me revolta que o âmbito religioso tenha
sido o maior propagador desse ensinamento totalmente errado.
A mulher tem dentro de si uma força natural de liderança,
mas isso foi roubado, podado por essas interpretações distorcidas. Se homens e
mulheres compreendessem seu verdadeiro papel e caminhassem em equilíbrio, seria
perfeito. Mas aí não estaríamos vivendo nesse mundo decaído. Ainda bem que o
milênio está chegando para restaurar todas essas coisas.
Algumas mulheres que eu acreditava serem as opressoras na
história foram absolvidas com essas revelações. Percebo que elas estavam se
defendendo e gritando por socorro. Enquanto elas eram torturadas em segredo,
dentro dos seus quartos, algumas pareciam maltratar seus maridos em público,
fazendo com que as pessoas pensassem que elas é que eram más. E os homens, por sua
vez, faziam cara de vítima e se fingiam de bonzinhos para as pessoas. E a nossa
visão da história era completamente deturpada, as vítimas se tornaram vilãs e os verdadeiros vilões posando de coitadinhos.
Misoginia dos religiosos e o espírito por trás da doença – E por falar em âmbito religioso, não
podia deixar de falar da visão espiritual do problema. Porque também tenho
muitas histórias sobre isso.
Desde que a misoginia caiu na minha cabeça, a pergunta que
ficou piscando foi qual seria o espírito maligno por trás disso. O primeiro que
me veio à mente foi o espírito de manipulação e controle – conhecido
popularmente como Jezabel. Mas demorei a aceitar. Alguém também me falou nesse
espírito na hora em que soube da doença. Mas ainda não conseguia me convencer, apesar de parecer tão óbvio. Pensei em pesquisar, em perguntar aos
mestres de guerra espiritual. Mas as revelações começaram a cair na minha
cabeça como um raio e não havia mais dúvida.
Demorei a aceitar porque sempre ouvi e li que esse espírito
atuava principalmente nas mulheres. E os religiosos sempre ficavam combatendo
as mulheres que se levantavam como líderes porque diziam que estavam dominadas
pelo espírito de manipulação e controle. Isso virou até obsessão no meio
religioso.
Mas o que começou a me intrigar e me convencer de que era ele
foi a minha própria experiência. Desde que comecei a atuar com libertação, já fui afrontada SEIS vezes diretamente por esse espírito, a maioria de forma agressiva – quatro dentro do âmbito
religioso –, e dessas seis, CINCO vezes o espírito se manifestou em cinco HOMENS diferentes. E não tenho dúvidas de que era ele. Quando pensava sobre o
assunto, ficava tentando ligar esses homens a mulheres que estivessem influenciando e manipulando por trás, que ficavam escondidas enquanto os homens
eram expostos. Mas não era nada disso.
Hoje, olhando para trás e revendo todas as situações, percebo
claramente que eram os homens que estavam sob a influência do espírito e que
eles é que manipulavam e controlavam. Três deles tenho certeza que são
misóginos com suas esposas, dois eu desconfio, mas eram misóginos no meio religioso.
Dois desses homens tinham um perfil muito parecidos, porque
não apresentavam violência ou agressividade, nas várias reuniões em que
participei com eles percebi que ficavam
muito calados e às vezes ouviam críticas e reclamações sobre eles e pareciam concordar,
faziam cara de vítima, de coitadinhos, ouviam as outras pessoas às vezes exaltadas e
não reagiam. Mas nunca pediam desculpas e não mudavam de comportamento. E o que
mais me irritava neles é que, quando era eu que falava nas reuniões, eles não
olhavam para mim, não me olhavam diretamente, desviavam os olhos, olhavam para
a mesa ou para meu marido. Eu achava aquilo muito estranho.
Em duas ocasiões diferentes, e em momentos bem distintos,
outros dois gritaram comigo e se exaltaram muito em duas reuniões religiosas.
Todos ficaram assustados com a reação deles. Na hora me veio uma calma
sobrenatural e ouvi o Eterno me dizendo que era o famoso espírito e que ele
estava sendo desmascarado. E é isso que percebo em todas as vezes em que fui atacada e
tive que confrontá-lo, que o espírito estava lá, agindo escondido, até que acabava colocando as garras de fora e assim era desmascarado e identificado. E eu
pensava: Ah, então era ele.
E aí comecei a lembrar do que falam do espírito que
acompanha quase sempre o de manipulação e controle, que é o espírito de
passividade, chamado de Acabe. É o que chamam de esquema de Jezabel e Acabe.
Como a base da teoria é o real exemplo bíblico, a história do rei Acabe, esse ensinamento só reforça a visão de que quase sempre é a
mulher é que manifesta Jezabel e o homem manifesta Acabe. Mas estou muito
desconfiada de que não é bem assim.
Estou convencida de que esse ensinamento foi uma estratégia
do inimigo para desviar a atenção de quem realmente é usado para manipular e
controlar. O que vejo agora é que os homens são maioria nessas manifestações e
que se fingem de Acabe, se fingem de mansinhos, de passivos, mas eles é são os
verdadeiros opressores.
E mais uma vez a mulher foi roubada de seu papel de
liderança, agora no meio religioso. É contra a natureza da mulher ela
não poder liderar, porque isso é muito latente e natural nela. Mas a mulher vem sendo
oprimida e rejeitada como líder pelos religiosos. Quantas foram acusadas de estarem
endemoninhadas pelo espírito de Jezabel? Quantas estão sofrendo até hoje as
sequelas de terem sido rejeitadas, humilhadas e agredidas por se levantarem
como profetas? Muitas e muitas e muitas.
Enfim, ainda estou pesquisando e meditando sobre tudo isso,
mas tenho um grito preso na garganta e por isso estou tão irada.
Só agora consigo entender tanto sofrimento das mulheres que
foram oprimidas por homens misóginos e agora sei o que elas passaram. Só agora
entendo os livros que li sobre a liderança das mulheres religiosas. E espero que mais pessoas
comecem a entender isso e haja uma restauração do verdadeiro papel da mulher na
sociedade.
E que o Eterno tenha misericórdia de nós e nos perdoe por
tamanha violência. E que as escamas dos nossos olhos caiam e que as mulheres
que estão debaixo desse jugo demoníaco e doentio consigam enxergar a verdade e
se libertem verdadeiramente.
4 comentários:
É incrível como as revelações estão vindo à tona de maneira tão clara!
O que é mais interessante nisso tudo é que o Eterno está usando nossa experiência aprendida com o assunto em batalha espiritual para nos fazer entender pequenos detalhes que de outra forma não enxergaríamos. Isso associado ao uso da inteligência e à sua vocação jornalística.
Vou continuar divulgando para todos para que famílias sejam libertas, misóginos sejam desmascarados.
Continue pesquisando e meditando. Penso que esse é um serviço à sociedade.
Bjs
Obrigada, amiga. Estou tentando fazer minha parte e sei que estou me metendo com vespeiro, mas a ira me impulsona a lutar.
Isso! Vá em frente e conte com meu apoio em oração e divulgação!
Eu tenho certeza que o Eterno tem aberto so olhos do seu povo, e tem usado pessoas como voce para ser voz. Que o Eterno te proteja e te guarde!
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