"Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido." João 15.15
“Certamente o Eterno, o Soberano, não faz coisa alguma sem revelar o seu plano aos seus servos, os profetas.” Amós 3.7
"Não há bálsamo em Gileade? Não há médico? Por que será, então, que não há sinal de cura para a ferida do meu povo?" Jeremias 8.22
Tenho mais perguntas que respostas nesse assunto de enfermidades e morte. Mas gostaria de compartilhar algumas inquietações do meu coração.
Na verdade o que mais me angustia nessa questão é o fato do conformismo geral que encontro nos religiosos. Há muitas pessoas conformadas com os diagnósticos humanos dos médicos. E elas assumem a enfermidade até como parte de suas personalidades.
Sim, porque tornou-se comum dizer: “eu sou hipertenso” ou “eu sou diabético”, ou então dizem: “a minha alergia”, “o meu reumatismo”. Creio que seria mais correto dizer que a pessoa tem uma enfermidade: tem diabetes ou sofre de hipertensão. Porque quem tem pode deixar de ter. Mas quando a pessoa diz que é diabético, por exemplo, a enfermidade passa a fazer parte da personalidade da pessoa. E deixar de ser alguma coisa é muito mais difícil.
Esse conformismo realmente me incomoda. E tenho perguntado muito ao Eterno sobre tudo isso. O que observo é que há houve uma invasão do que chamo de Síndrome de querer ser como Jó. Parece que todos se tornaram “jós” de uma hora para outra. Tudo é provação. E pior, tudo é da “vontade do Eterno” ou “foi o Eterno quem quis assim”.
E isso tudo me faz pensar na nossa total falta de intimidade com o Eterno. Porque não sabemos a razão, a causa da enfermidade, dizemos simplesmente que é provação, como foi a de Jó.
Para mim há uma grande diferença entre provação e maldição. Não consigo entender uma provação que dure 20 anos. A pessoa está enferma há 20 aos e diz que é provação. Que prova é essa que nunca acaba? Tem alguma coisa errada.
Mas o que vemos hoje são muitos religiosos em hospitais, conformados com suas doenças e reclamando do atendimento dos médicos e murmurando. É só prestar atenção na sala de espera ou na fila do guichê de um hospital ou posto médico. O povo só sabe reclamar, quer bater nos atendentes, nos enfermeiros e nos médicos.
Frequentei hospitais por causa do meu pai, que é idoso e fez uma cirurgia para colocar prótese no joelho e quase dois anos depois caiu e fraturou o fêmur e precisou de cirurgia de novo e ficou muito tempo internado. E, como filha mais velha, eu que cuidava dele, levava ao hospital, ficava de acompanhante na enfermaria. (Hoje ele está morando na casa do meu irmão). E comecei a perceber a grande quantidade de religiosos nas enfermarias. E eles ficavam tão à vontade e até sugeriam fazer culto na enfermaria. E isso me incomodava.
Não consigo entender essa passividade diante da enfermidade. As pessoas estão deixando o inimigo bater, e ainda dizem que é da vontade do Eterno. Tem até uma música que diz que toda tragédia é permissão do Eterno. Para mim essa é uma teologia que tira a responsabilidade do homem.
O autor do livro O que o cristão deve saber sobre enfermidade e cura (Danprewan) diz que se é da vontade do Eterno, então não deveria procurar um médico. E ele conta de um homem que só foi curado depois de pagar uma dívida. A dívida era a causa da enfermidade.
Mas não encontramos hoje pessoas que assumem que seus problemas e enfermidades são consequência de pecado. Devemos entender então que ninguém peca mais?
Penso que nossa intimidade com o Eterno deveria ser a tal ponto que saberíamos se a enfermidade é provação, consequência de pecado, para que a glória do Eterno se manifeste – e aí tem que haver cura – ou se é para morte. Precisamos saber as causas dos problemas, das enfermidades – perguntar ao Eterno – ter intimidade com ele. E orar por cura física, se for o caso.
Não veja na Bíblia um padrão para essa passividade que existe hoje. O que vejo são pessoas que vão e perguntam ao Pai o que está acontecendo e até mesmo pessoas que já sabem porque estão sofrendo algo. Como foi o caso de Jonas. Ele sabia que a tempestade era por sua causa, ele sabia que havia pecado. Não pensou que a tempestade era simplesmente um fenômeno natural, não. Ele sabia. E a tempestade passou quando ele foi jogado ao mar.
Vejo também o Rei do Egito, quando Abraão mentiu para ele. Ele foi procurar saber porque estava cheio de feridas no corpo. E quando soube que era por causa de Sara, ele a devolveu para Abraão e foi curado. E era um ímpio.
Rebeca, quando Esaú e Jacó brigavam no seu ventre, não ficou pensando que era normal, mas foi perguntar ao Eterno o que estava acontecendo. E ele revelou sobre os gêmeos, que representavam duas nações que seriam inimigas.
E o espinho na carne de Paulo. Não se sabe ao certo o que era esse espinho, mas há quem acredite se tratar de uma enfermidade. Ele pediu e o Eterno não tirou o espinho. Então Paulo sabia exatamente porque estava com aquele mal e sabia que não precisava mais orar, porque o Eterno já havia dito que não atenderia.
Infelizmente muitos invertem a ordem e vão primeiro buscar os médicos. E depois, quando estes dizem que não há mais jeito, conformam-se com a morte e dizem que é a vontade do Eterno.
Em 2Crônicas 16.12,13 lemos: “No trigésimo nono ano de seu reinado, Asa foi atacado por uma doença nos pés. Embora a sua doença fosse grave, não buscou ajuda do Eterno, mas só dos médicos. Então, no quadragésimo primeiro ano do seu reinado, Asa morreu e descansou com os seus antepassados.”
Neil Anderson, em Proteção espiritual para seus filhos (Quadrangular), diz: “Nossa mentalidade ocidental supõe que existe uma explicação natural para tudo. Depois de todos os recursos médicos terem sido aplicados sem sucesso, nós dizemos: Não há mais nada a fazer agora senão orar. Creio que a ordem deveria ser invertida. A minha Bíblia diz: ‘Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça’ (Mt 6,33). Por que não ir ao Eterno primeiro?”
Na verdade quem pode se dizer como Jó? Se queremos realmente dizer que estamos sendo provados como ele, devemos ser como ele foi: “Na terra de Uz vivia um homem chamado Jó. Era homem íntegro e justo; temia ao Eterno e evitava fazer o mal. E possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de boi e quinhentos jumentos, e tinha muita gente a seu serviço. Era o homem mais rico do oriente. Seus filhos costumavam dar banquetes em casa, um de cada vez, e convidavam suas três irmãs para comerem e beberem com eles. Terminado um período de banquetes, Jó mandava chamá-los e fazia com que se purificassem. De madrugada ele oferecia um holocausto em favor de cada um deles, pois pensava: ‘Talvez os meus filhos tenham, lá no íntimo, pecado e amaldiçoado ao Eterno’. Essa era a prática constante de Jó.” (Jó 1.1-5 - grifos meus).
O mais triste de tudo isso é que em Deuteronômio 28.15-68 há uma lista enorme de maldições para quem não obedecer e quase todo o texto fala de muitas enfermidades como consequência da desobediência. E as pessoas hoje ficam doentes e acham que é provação? Quase ninguém assume que está sofrendo por conta do pecado. A gente não vê isso nos pedidos de oração pelos enfermos ou desempregados etc. Pedem oração como coitadinhos, como se fossem tão bonzinhos, mas estão sofrendo e não mereciam isso.
O problema é que o povo peca, peca, peca, aí fica doente ou passa por tragédias e sai dizendo que está sendo provado como Jó, e começa a citar a história de Jó. Quer se considerar Jó? Vai ser como ele, justo, íntegro, cumpridor da Lei. Mas se está cheio de pecado, não pode dizer que é provação.
E esquecem também de textos como o de Apocalipse 3.19: "Repreendo e castigo aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se." e do velho ditado: "Aqui se faz, aqui se paga".
P.S.: "Por que as pessoas procuram tanto explicações científicas ou naturais para as catástrofes? Pois é mais cômodo do que se perguntar 'o que eu tenha a ver com isso?'. É mais fácil acreditar no acaso do que assumir um erro. Mas fechar os olhos não faz o problema sumir. Procurar soluções na ciência e construir torres não evita dilúvios e não muda decretos espirituais. Mas Teshuvá (arrependimento), Tefilá (oração) e Tzedaká (caridade) podem mudar o curso do mundo. Somente quando aprendermos com as tragédias, assumindo nossos erros e os corrigindo, poderemos nos alegrar com o fim das tragédias 'naturais'." Efraim Birbojm
P.S.2.: Esse é um artigo de opinião. Não é um tratado científico, não é reportagem, muito menos estudo bíblico. Apenas usei a expressão "síndrome de querer ser como Jó" como uma licença poética em uma reflexão pessoal, ao estilo de colunistas de jornais –, para desabafar minha indignação. Inventei a síndrome de querer ser como Jó baseada nas minhas observações de muitos anos no sistema religioso, mas não tem nada de científico nisso. Em nenhum momento estou dizendo que Jó tinha alguma síndrome ou que era um doente, muito pelo contrário, eu o defendo o tempo todo. São as pessoas de hoje é que têm síndrome de achar que são como ele era e dizer que estão sendo provadas como ele foi.
E não inventei sozinha a expressão "síndrome de querer ser como Jó", apenas me apropriei de duas outras expressões e adaptei. Usei a expressão "síndrome de querer ser como Jó" quase da mesma forma que os autores dos livros usaram as expressões Complexo de Cinderela e Síndrome de Peter Pan. Foi isso, eu só adaptei e "inventei" a expressão.
Esses termos acabaram virando nomes – ou vice-versa – de doenças psicológicas. Você pode ver nos links abaixo sobre os livros e as explicações para as patologias:
http://desciclo.pedia.ws/wiki/Complexo_de_Cinderela
http://www.submarino.com.br/produto/1/16890/complexo+de+cinderela
http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%ADndrome_de_Peter_Pan
http://www.traca.com.br/livro/165671/sindrome-de-peter-pan
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1 comentários:
Minha querida e preciosa irmã...
quanto compreendo o que quer dizer...
É interessante que tenho um estudo iniciado desde há anos com o título "o síndrome de job". Nunca encontrei mais ninguém que usasse o termo...
Curiosamente Deus chamou-me Débora também... ;D
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