Já pedi perdão a Deus por isso, mas preciso pedir a vocês, que me perdoem.
Primeiro quero pedir perdão pelo mau testemunho que dei a vocês.
Quando era adolescente eu me posicionava e dizia não a alguns convites. Infelizmente, depois de jovem, de pequenas em pequenas concessões, que depois se tornaram médias e grandes concessões, eu me tornei uma crente carnal (“Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças no Messias.” 1Coríntios 3.1) e participei de coisas que me contaminaram espiritualmente e que não edificam.
“ ‘Tudo me é permitido’, mas nem tudo convém. ‘Tudo me é permitido’, mas eu não deixarei que nada me domine.” 1Coríntios 6.12
Por isso quero pedir perdão pelo mau testemunho que dei a vocês, por ter participado de festas, de rodas de piadas, por ter gostado, ouvido, cantado e até recomendado músicas profanas, que não louvam a Deus e hoje sei que muitas na verdade louvam a Satanás.
Quero pedir perdão por ter cedido aos prazeres do mundo. Por não ter sido luz e sal. Por ter feito concessões para ser aceita pelo grupo. Perdoem-me, em nome de Jesus.
“Amados, insisto em que, como estrangeiros e peregrinos no mundo, vocês se abstenham dos desejos carnais que guerreiam contra a alma. Vivam entre os pagãos de maneira exemplar para que, mesmo que eles os acusem de praticarem o mal, observem as boas obras que vocês praticam e glorifiquem ao Eterno no dia da sua intervenção.” 1Pedro 2.11,12
E quero também pedir perdão pela hipocrisia.
Depois que Deus mudou minha vida, aos 36 anos – apesar de ter nascido em lar cristão – depois que Deus virou minha vida de cabeça para cima, depois de ter chegado ao fundo do poço e Ele ter me tirado de lá, ainda assim não me posicionei o suficiente.
Para algumas coisas eu até dizia não. Mas muitas vezes fui a festas que não queria ir, porque, apesar de serem festas de cristãos, haveria bebida alcoólicas, músicas profanas e piadas inconvenientes. Perdoem-me. Eu deveria ter sido sincera e ter dito não, ao invés de ter ido apenas para agradar, por achar que seria educado, e ficar na festa me sentindo mal, fingindo que estava gostando, com um sorriso amarelo, querendo sumir dali, sair correndo e voltar para casa – em alguns momentos foi isso que fiz, mas nunca confessei.
E também quando recusei algum convite ou simplesmente não compareci, e nunca disse o verdadeiro motivo de não ter ido.
Muitos me chamam de radical, fanática etc etc. Mas sabem um ex-fumante que não suporta ficar perto de um fumante???? Pois é, hoje sou uma ex-crente carnal que não consegue participar das mesmas coisas que participava antes. É difícil.
Não consigo mais participar dessas coisas, me sinto mal, me sinto violentada e a maior de todas as hipócritas. Se tivesse sido mais sincera, teria evitado muitos constrangimentos.
Perdoem-me, em nome do Messias.
Hoje vejo que nas poucas vezes em que me posicionei eu fui mais feliz e as pessoas, sabendo que não gosto de certos ambientes, deixaram de me convidar e isso não nos fez inimigos, continuamos nos relacionando, mas cada um respeitando as convicções do outro.
Perdão, queridos, perdão.
Agora entendo que falar a verdade é demonstrar amor. Quando sei que algo está errado e não agrada a Deus e me calo, não amo meu irmão, meu próximo. E vice-versa, quando me viram errando e não me corrigiram, não me amaram.
“Repreendo e disciplino aqueles que eu amo. Por isso, seja diligente e arrependa-se.” Apocalipse 3.19
Mesmo correndo o risco de não agradar, de alguém ficar magoado comigo, não posso me calar.
"Você lhes falará as minhas palavras, quer ouçam quer deixem de ouvir." Ezequiel 2.7
Não concordar com o erro é prova de amor. E eu amo todos vocês. E por amá-los é que gostaria que vocês desfrutassem e vivessem a vida feliz e completa que o Eterno nos deu, mas que só é possível com uma vida de santidade. E tive que sofrer muito para entender isso.
“Porque o Eterno não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” 1Tessalonicenses 4.7
“Esforcem-se para viver em paz com todos e para serem santos; sem santidade ninguém verá o Eterno.” Hebreus 12.14
Fico triste por algumas pessoas, porque já estive onde elas estão e sei que é um caminho de dor, de tristeza, de vazio. Ceder aos prazeres da carne, do mundo, só nos afasta do Eterno. E eu não quero voltar a isso, não quero ser aquilo que fui, nunca mais. E percebo que as pequenas concessões, as “raposinhas”, me levaram a uma vida longe da graça do Eterno. E, como diz a canção, hoje eu só quero o Eterno, não importa o que vão pensar de mim...
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